Ações das petrolíferas disparam na bolsa com alta do petróleo

Preço do barril da commodity abriu a semana na casa de US$ 100 influenciado pela guerra no Oriente Médio

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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As ações das empresas petrolíferas tiveram forte valorização nesta segunda-feira (9) em movimento endossado pelos preços do petróleo no exterior, mas desaceleraram os ganhos na última hora de pregão. Os papéis impulsionaram o principal índice da bolsa paulista, que passou a operar no positivo à tarde.

As ações preferencias e ordinárias da Petrobras fecharam em alta de 2,49% (R$ 43,16) e 2,12% (R$ 46,75), respectivamente.

A PetroRio eencerrou com leve alta de 0,52% (R$ 59,70), enquanto Brava Energia recuou 1,06% (R$ 19,52) e Petroreconcavo caiu 0,08% (R$ 12,86).

Petróleo

O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, perto dos US$ 100 por barril, após atingindo o maior nível ​desde meados de 2022, com a guerra no Oriente Médio intensificando as pressões na oferta da commodity à medida que países da região começam a reduzir sua produção. Os preços desaceleraram ao longo do dia depois de relatos de que ministros de Energia do G7 estudam medidas para estabilizar o mercado energético.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI, referencia no mercado americano, para abril fechou em alta de 4,26%, a US$ 94,77 o barril.

Já o Brent para maio encerrou o dia em alta de 6,76%, com o barril cotado a US$ 98,96, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

Mais cedo, o WTI chegou a subir 31,4%, atingindo alta de US$ 119,48 por barril ⁠na segunda-feira, enquanto o Brent subiu até 29%, para US$ 119,50 ⁠por barril - no maior salto de todos os tempos em um único dia depois que países árabes do Golfo reduziram a produção devido ao fechamento do Estreito de Ormuz por ameaças iranianas.

Os preços desta segunda-feira são comparados às máximas históricas de cerca de US$ 147 por barril para os contratos alcançados em 2008, de acordo com dados da LSEG que remontam à década de 1980.

Os preços arrefeceram alta após os ministros de Finanças do G7 sinalizarem disposição em liberar suas reservas para controlar a disparada da commodity, em reunião com a Agência Internacional de Energia (AIE).

Antes do aumento desta segunda-feira, o Brent já havia subido 27% e o WTI 35,6% ​na ‌semana passada.

De acordo com o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, a semana começa com os mercados globais reagindo à disparada no petróleo e às incertezas geopolíticas envolvendo o Irã.

De pano de fundo para a alta do petróleo está a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã, em um sinal de que a linha dura continua firmemente no comando da República Islâmica.

Produtores relevantes também começaram a cortar a produção, entre eles a Saudi Aramco e a Kuweit Petroleum Corporation, enquanto o Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, segue praticamente fechado.

"O choque do petróleo muda completamente o pano de fundo da semana", avaliou Pedroso, da Criteria, acrescentando que o salto nos preços da commodity volta a colocar inflação no centro da mesa.

"Se o Brent realmente romper a região de US$ 100 de forma consistente, o debate sobre política monetária global tende a ficar muito mais complicado nas próximas semanas."

*Com informações da Reuters

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