Análise: Alta dos combustíveis preocupa e pressiona inflação

Analista econômico avalia que medidas do governo para conter aumento podem ser insuficientes, enquanto conflito no Oriente Médio também afeta preço dos fertilizantes

Da CNN Brasil
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A alta dos preços dos combustíveis tem gerado preocupação e pode pressionar ainda mais a inflação no Brasil. As medidas anunciadas pelo governo para conter esse aumento podem não ser suficientes, conforme análise do colunista do CNN Money, Gilvan Bueno, ao CNN Novo Dia.

O especialista destaca que a proposta de redução do ICMS sobre o diesel importado enfrenta resistência dos governadores, que dependem dessa arrecadação. "Alguns estados passam por muita deficiência na sua capacidade econômica. O ICMS tem uma participação em alguns estados de 29%, 34% em carga tributária. Aqui no Rio de Janeiro, em alguns momentos, chega a mais de 30%", explica Gilvan.

"O que está se falando é que os estados já estão muito debilitados, então, como é que iremos conseguir suportar isso?", acrescentou.

Além disso, mesmo com possíveis intervenções governamentais, o analista alerta que o preço final tende a ser definido pela lei da oferta e procura. "No final do dia, existe um componente adicional que é, o governo vai tentar regular isso, mas vai ser a demanda e oferta pelos postos de gasolina que vai repassar isso para o preço", afirma.

"Em linhas gerais, isso não é muito positivo porque os estados já estão muito debilitados, estamos presenciando atividade econômica muito baixa e endividamento das famílias", apontou o analista.

Impacto dos fertilizantes na inflação

Outro fator preocupante apontado pelo economista é o impacto do conflito no Oriente Médio sobre o preço dos fertilizantes, que pode afetar diretamente o custo dos alimentos. "Os fertilizantes representam, em alguns momentos, 70% da cadeia produtiva e consomem também muita energia. Por isso que muito parte dos fertilizantes são produzidos no Oriente Médio, passam pelo estreito de Hormuz e vêm com um custo muito menor", detalha.

Com o diesel representando 60% da produtividade brasileira no transporte rodoviário e agora a questão dos fertilizantes, o cenário é de pressão inflacionária em dois setores fundamentais: combustíveis e alimentos. "Se nós tivermos uma pressão nos alimentos maior, isso vai chegar na inflação dos alimentos e, consequentemente, nós vamos ter uma combinação de inflação dos alimentos e inflação dos serviços", alerta Gilvan Bueno.

O especialista conclui que esse cenário gera grande preocupação para a economia brasileira, pois combina dois componentes inflacionários importantes: "Fora a questão de petróleo, nós temos agora a questão de fertilizantes", ressalta, indicando que o momento exige atenção redobrada às pressões de preços que podem afetar diversos setores da economia.

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