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Bolsas dos EUA caem acentuadamente após Trump não descartar recessão

Presidente dos EUA não desconsidera a possibilidade de retração da atividade econômica americana

Fabrício Julião e João Nakamura, da CNN*, em São Paulo
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Os principais índices de ações dos Estados Unidos despencaram nesta segunda-feira (10), em razão dos temores de investidores sobre uma possível recessão na maior economia do mundo, depois que o presidente norte-americano Donald Trump declarou não descartar essa possibilidade.

De acordo com dados preliminares, o S&P 500 perdeu 2,69%, para 5.614,99 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 3,99%, para 17.470,21 pontos. O Dow Jones caiu 2,08%, para 41.911,09 pontos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, minimizou as oscilações do mercado em relação à política tarifária em curso, em entrevista exibida no canal Fox News no domingo (9). O republicano se esquivou de fazer um diagnóstico sobre uma possível recessão e disse que as mudanças que está implementando levam tempo.

“Eu odeio prever coisas assim [recessão]. Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande. Estamos trazendo riqueza de volta para a América. Isso é uma grande coisa. E sempre há períodos de — leva um pouco de tempo. Leva um pouco de tempo, mas acho que deve ser ótimo para nós”, afirmou.

Trump ressaltou a importância de olhar para a economia a longo prazo e não por períodos menores.

“Se você olhar para a China, eles têm uma perspectiva de 100 anos. Temos um trimestre. Nós seguimos por trimestres. E você não pode seguir isso. Você tem que fazer o que é certo. Estamos construindo uma base tremenda para o futuro”, acrescentou.

Paula Zogbi, gerente de research da Nomad, destaca que os mercados globais seguem temerosos em relação à política econômica trumpista e suas potenciais consequências.

"A administração Trump, que no mandato anterior se mostrou profundamente conectada com os movimentos de Wall Street, deixou bem claro que, desta vez, não tem como prioridade manter o mercado sob controle no curto prazo", pontuou Zogbi.

"A bolsa [dos EUA], que passou por um período de euforia após a vitória de Trump, na expectativa de medidas de grande estímulo à economia americana, devolveu todo esse ganho desde a posse", concluiu.

A analista da Nomad destaca a piora dos indicadores que medem o temor do mercado. O “Índice do Medo”, que acompanha o mercado de opções para rastrear a busca por proteção entre investidores, atingiu o nível mais alto desde dezembro.

Já o termômetro “Fear and Greed” da CNN Internacional, que rastreia o sentimento do mercado por meio de sete indicadores, passou de “ganância” (sentimento positivo) em novembro para “medo extremo” nos últimos dias, em níveis não vistos desde agosto.

*Com informações de Reuters

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