Disparada do petróleo pesa e bolsas globais caem com temor sobre oferta

Commodity subiu seu valor de mercado em 35% na última semana em decorrência da guerra no Oriente Médio

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*, Manuela Miniguini, colaboração para a CNN Brasil*, São Paulo
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A guerra no Oriente Médio entre EUA e Israel contra o Irã afeta uma das principais commodities do mundo: o petróleo. Após atingir US$ 90 o barril na sexta-feira (6), a matéria-prima abriu a semana rompendo a barreira de US$ 100, mas desacelerou a alta ao longo da sessão desta segunda-feira (9) - os preços do petróleo subiram para mais de US$ 119 por barril durante a manhã, atingindo níveis não vistos desde meados de 2022.

O Brent fechou em alta de 6,76%, com o barril cotado a US$ 98,96. Enquanto o WTI, referencia no mercado americano, encerrou o dia com valorização de 4,26%, a US$ 94,77.

No último pregão da semana anterior, o barril do Brent - referência internacional negociado na ICE (International Commodities Exchange) - fechou o dia em alta de 8,52%, estendendo os ganhos vistos ao longo dos últimos dias, e terminando a sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69.

No acumulado da semana passada, o preço de mercado da commodity aumentou em 27,2%, uma média de 5,44% ao dia. O WTI avançou ainda mais, com uma valorização semanal de 35% - ou 7% por dia -, o que elevou o preço do barril para US$ 90,90.

Já nesta segunda-feira, tanto o Brent quanto o WTI estendem ganhos e afetam as principais bolsas internacionais. Por volta das 13h45, os contratos futuros do Brent (+6,75%) estavam cotados a US$ 98, enquanto os do WTI (+3,80) tinham cotação de US$ 94.

Mercado acionário

As bolsas asiáticas derreteram nesta segunda-feira (9). Tóquio fechou em baixa de 5,2%, enquanto Coreia do Sul despencou 5,96%. Taiwan ficou com saldo negativo de 4,43% e Hong Kong perdeu 1,35%.

Na China continental, as perdas foram mais moderadas após dados de inflação acima do esperado aliviarem preocupações deflacionárias, de 0,67%.

A bolsa australiana, por sua vez, também sentiu os efeitos da guerra, e caiu 2,85% em Sydney.

O mesmo movimento foi vistos nas bolsas da Europa, que fecharam em queda generalizada. Apesar das perdas terem sido parcialmente reduzidas ao longo do dia à medida que o petróleo devolveu parte dos ganhos mais intensos observados na madrugada, o que ajudou a aliviar temores imediatos de estagflação.

Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 0,34%, a 10.249,52 pontos. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,83%, a 23.394,38 pontos. Em Paris, o CAC 40 perdeu 0,98%, a 7.915,36 pontos. Em Milão, o FTSE MIB recuou 0,29%, a 44.024,96 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 0,79%, a 16.939,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 teve queda de 0,78%, a 8.875,96 pontos.

Já as bolsas do Brasil e dos Estados Unidos abriram em queda, mas reverteram o sinal ao longo do dia e fecharam no positivo.

Os principais índices de Wall Street se recuperaram e encerraram o dia em alta depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã pode estar perto do fim.

Trump disse, já perto do fechamento dos mercados, que o prazo da guerra está "muito à frente" das estimativas.

O S&P 500 ganhou 56,22 pontos, ou 0,83%, fechando em 6.796,24 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançou 309,13 pontos, ou 1,38%, para 22.696,81 pontos. O Dow Jones Industrial Average subiu 240,91 pontos, ou 0,51%, para 47.742,46 pontos.

No brasil, por sua vez, o Ibovespa fechou em alta após operar parte do pregão no negativo e ganhar fôlego à tarde, em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país está muito à frente do prazo inicial estimado de quatro a cinco semanas na guerra contra o Irã e que acredita que o conflito está "praticamente concluído".

O principal índice da bolsa brasileira encerrou com valorização de 0,86%, aos 180.915,36 pontos.

Câmbio

O dólar sobe de forma ampla nesta segunda-feira, com o aumento dos preços do petróleo impulsionado pela guerra entre os EUA e Israel contra o Irã empurrando investidores para a segurança da moeda norte-americana, em meio a receios de que um conflito prolongado possa interromper o fornecimento global de combustível e pesar sobre o crescimento econômico.

O euro cai e mais cedo atingiu a menor cotação em mais de três meses de US$ 1,1505. O dólar sobe em relação ao iene japonês, atingindo um pico de seis semanas, enquanto a libra esterlina tem queda frente à moeda norte-americana.

"Em última análise, o dólar dos EUA sempre funciona bem como um porto seguro em um mundo de caos", disse Juan Perez, diretor de negociações da Monex USA.

"Ele também tende a ganhar quando os EUA demonstram qualquer tipo de força militar", disse ele.

As ações, os títulos e os metais preciosos caíam com os investidores preocupados com o impacto do aumento dos preços do petróleo sobre a inflação global e o crescimento econômico. Na segunda-feira, o Irã nomeou Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai como líder supremo, sinalizando que a linha dura continua firmemente no comando em Teerã após uma semana de guerra.

O dólar reduziu alguns ganhos depois que um relatório do Financial Times disse que os ministros das finanças do G7 discutirão na segunda-feira uma liberação conjunta de petróleo das reservas de emergência coordenadas pela Agência Internacional de Energia.

Perez, da Monex, alertou que a força do dólar pode ficar sob pressão caso o conflito no Irã seja resolvido rapidamente.

"Essa guerra não está acontecendo em meio a uma boa situação econômica para os EUA. Na verdade, ela está ocorrendo em um momento em que a situação econômica está em dúvida", disse Perez.

"No momento em que houver uma resolução rápida (...) isso prejudicará muito o dólar", disse ele.

O efeito de oferta e demanda no petróleo mundial

O movimento de alta na commodity acontece depois da primeira semana de ataques dos EUA e Israel ao Irã, um dos principais exportadores de petróleo do mundo. É no país persa onde está localizado o Estreito de Ormuz, responsável por abastecer um quinto dos barris mundiais.

Com o fechamento do local estratégico devido a guerra, a 20% da oferta mundial praticamente se encerra, elevando os preços do produto devido à alta demanda do combustível fóssil no mercado.

Especialistas ouvidos pela CNN Money indicam que, caso a situação se prolongue pelos próximos 100 dias, o dano causado pela falta de produção do petróleo pode ser ímpar, principalmente pelo combustível ser uma das principais matérias-primas para a produção de gasolina e diesel, os carburantes mais utilizados do mundo.

Pedro Côrtes, professor titular na Universidade de São Paulo (USP), explicou ao CNN Money que, não só a produção e oferta da commodity foram afetadas, como também a distribuição do petróleo devido a ataques em refinarias no Irã e em Israel.

"A tendência é que possa chegar a US$ 150 o barril devida a falta de oferta. Isso ocorre porque outros países produtores de petróleo, o Brasil como um deles, não conseguem elevar de uma hora para a outra a sua produção e oferta de petróleo para suprir essa falta", explica Côrtes.

Nos Estados Unidos, parte responsável pelos ataques, em estados como Califórnia e Nevada, o preço do galão de gasolina saltou quase 20%. O presidente americano, Donald Trump, chamou o efeito de "pequeno contratempo" e não demonstrou sinais de que recuará na guerra do Oriente Médio.

O Irã, por sua vez, também não deu pra trás. Ontem, o país nomeou Mojtaba Khamenei para suceder o pai, Ali Khamenei, como líder supremo, sinalizando que os linha-dura mantêm firme controle em Teerã.

De acordo com o The Wall Street Journal, o G7 - formado pelas principais potencias econômicas do mundo - e a Agência Internacional de Energia (AIE) planejam discutir a liberação de reservas de petróleo, o que pode amenizar os efeitos vistos no preço do petróleo.

*Com informações da Reuters

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