Bolsa bate recorde e encosta nos 200 mil pontos com negociações EUA-Irã
Dólar se mantém abaixo de R$ 5 com expectativa sobre fim da guerra no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em novo recorde nesta terça-feira (14), ultrapassando os 199 mil pontos pela primeira vez na máxima do dia, com a retomada do fôlego dos ativos de risco em meio ao otimismo de que Estados Unidos e Irã possam chegar a um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, o dólar se manteve abaixo dos R$ 5,00.
A queda do petróleo com as perspectivas de alívio no conflito, porém, reverberou nos papéis da Petrobras, adiando o rompimento da marca inédita dos 200 mil pontos.
O Ibovespa fechou em alta de 0,33%, aos 198.657,33 pontos.
O principal índice da bolsa marcou 199.354,81 pontos na máxima do dia, novo topo intradia. Na mínima, chegou a 198.001,48 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 33,14 bilhões.
Já o dólar à vista fechou em queda 0,09%, cotado a R$ 4,9935 na venda. No ano, a divisa acumula baixa de 9,03%.
O dólar seguiu em baixa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior. Na véspera, o dólar encerrou com queda de 0,25%, aos R$ 4,9980, abaixo dos R$ 5,00 pela primeira vez desde 27 de março de 2024.
Apesar do presidente dos Estados Unidos afirmar que o Irã gostaria de fazer um acordo, a mídia estatal iraniana disse nesta terça-feira que "ainda não há um acordo para a realização de uma nova rodada de negociações". A declaração foi feita após relatos de que delegações americanas e iranianas poderiam retornar ao Paquistão ainda esta semana para retomar as negociações.
De acordo com fontes da agência de notícias Reuters, equipes de negociação de EUA e Irã podem retornar a Islamabad no final desta semana. Uma data, porém, ainda não foi decidida. "Entramos em contato com o Irã e recebemos uma resposta positiva de que eles estarão abertos a uma segunda rodada de negociações", disse uma autoridade de alto escalão do governo paquistanês.
Os investidores se apegaram à esperança de um acordo, o que fez os índices acionários ganharem força diante de um otimismo pelo fim da guerra.
Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o conflito parece estar caminhando para algum tipo de arrefecimento, mas ainda não é possível ter segurança de que o movimento atual será perene.
"Esse movimento otimista derruba o preço do petróleo, suaviza curvas de juros, derruba o dólar globalmente e favorece ativos de risco, com destaque para o mercado brasileiro, que tem se beneficiado fortemente do fluxo externo", avaliou.
O fluxo de estrangeiros continua como o principal suporte para as ações brasileiras, com abril registrando entrada líquida de R$ 14 bilhões até o dia 10, o que amplia o saldo positivo no ano para R$ 67,4 bilhões. Em todo o ano de 2025, o saldo ficou positivo em R$ 25,5 bilhões.
Em meio a apostas de alívio na tensão no Oriente Médio, o barril de petróleo recuou e fechou abaixo de US$ 100, ao mesmo tempo que as bolsas globais avançaram.
"A geopolítica continua mandando no mercado, mas a leitura mudou rápido de novo. O bloqueio naval americano ainda está em vigor, só que o mercado preferiu olhar para a possibilidade de uma segunda rodada de negociações entre Washington e Teerã", afirmou o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso.
"A leitura dominante parece ser a seguinte: o conflito continua perigoso, mas ainda há espaço para acomodação se a diplomacia sobreviver mais alguns dias", acrescentou.
*Com informações da Reuters


