Estrangeiros retiram quase R$ 15 bi da B3 em maio; maior saída desde 2022

Apesar do resultado negativo do mês, o fluxo acumulado de investimentos em 2026 permanece positivo

Diana Ribeiro, da CNN Brasil
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Os investidores estrangeiros retiraram R$ 14,91 bilhões da bolsa de valores, a B3, em maio de 2026. Essa é a maior saída mensal de recursos desde janeiro de 2022, considerando apenas operações no mercado secundário e desconsiderando aportes em IPOs e follow-ons, segundo levantamento da Elos Ayta.

Quando considerados os aportes em IPOs e follow-ons, a saída líquida em maio totaliza R$ 13,27 bilhões, também o maior fluxo negativo da série analisada desde 2022.

Desde o recorde em janeiro de 2026, quando o valor total bateu R$ 26,31 bilhões em entradas de capital estrangeiro, a B3 vinha registrando quedas consecutivas nesse tipo de aporte, devido a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. 

A saída de estrangeiros do mercado nacional, que vinham sustentando as ações brasileiras, foi um dos principais fatores para a queda de 7,22% do Ibovespa em maio, o pior desempenho desde o declínio registrado em fevereiro de 2023

Apesar do resultado negativo do mês, o fluxo acumulado de investidores estrangeiros em 2026 permanece positivo. Entre janeiro e maio, o saldo líquido alcança R$ 41,63 bilhões sem considerar IPOs e follow-ons. Incluindo as ofertas de ações, a entrada líquida acumulada sobe para R$ 43,78 bilhões.

A forte retirada de recursos ocorre após um período de expressivas entradas de capital estrangeiro no mercado brasileiro. Somente em janeiro deste ano, o fluxo positivo alcançou R$ 26,31 bilhões, enquanto fevereiro e março registraram ingressos de R$ 15,40 bilhões e R$ 11,66 bilhões, respectivamente.

De acordo com a análise da Elos Ayta, a saída observada em maio reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. Entre eles estão a realização de lucros após a forte valorização dos ativos brasileiros nos primeiros meses do ano, a migração parcial de recursos para mercados desenvolvidos diante da manutenção de juros elevados nos Estados Unidos e o aumento da cautela dos investidores globais em relação ao cenário fiscal brasileiro.

O estudo ressalta que os dados de negociação também indicam perda de intensidade da participação estrangeira na bolsa. Em março de 2026, o volume financeiro movimentado pelos investidores internacionais ultrapassou R$ 500 bilhões tanto em compras quanto em vendas, atingindo o maior nível da série recente. Desde então, o volume vem desacelerando pelo segundo mês consecutivo.

Em maio, as compras somaram R$ 379 bilhões, enquanto as vendas atingiram R$ 394 bilhões. O resultado confirma a predominância vendedora dos investidores estrangeiros no período e ajuda a explicar o fluxo líquido negativo registrado no mês.

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