Guerra no Irã provoca tombo em mercados globais e disparada do petróleo
Investidores estão se preparando para um conflito prolongado que ameaça interromper as rotas comerciais globais e reacender as pressões inflacionárias

A guerra no Oriente Médio desencadeou um temor generalizado nos mercados acionários globais, que operam em queda nesta segunda-feira (2). Ao mesmo tempo, o preço do petróleo disparou, enquanto a busca por proteção fizeram o dólar e o ouro saltarem. O conflito se iniciou depois do ataque conjunto dos EUA e Israel contra o Irã no último sábado (28).
Os ataques, que mataram o líder supremo iraniano Ali Khamenei, foram revidados por Teerã e interromperam o transporte marítimo no crucial Estreito de Ormuz, por onde passam mais de 20% do petróleo global.
Petróleo
O Brent para maio subiu 6,68%, a US$ 77,74 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Já o petróleo WTI para abril, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em alta de 6,28%, a US$ 71,23 o barril.
No domingo (1), o petróleo Brent subiu 10%, para cerca de US$ 80 o barril no mercado de balcão, segundo operadores do setor, enquanto analistas previram que os preços poderiam avançar para US$ 100.
Mercado acionário
A situação no mercado acionário global não foi tão positiva. Com os temores em relação ao conflito no Oriente Médio, o dia foi marcado pela maior aversão ao risco, o que se refletiu em queda nas principais bolsas globais.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 0,28%, aos 189 mil pontos. Apesar de ter operado em queda durante boa parte do pregão, o índice teve as perdas amenizadas pelo avanço da Petrobras - as ações das petrolíferas subiram na B3 com a disparada do petróleo.
Os principais índices de ações dos Estados Unidos encerraram praticamente estáveis nesta segunda-feira, após uma sessão volátil que viu as ações caírem mais cedo, mas houve recuperações ao longo do dia, conforme investidores compraram nas quedas. O Dow Jones caiu 0,18%, enquanto o S&P 500 e Nasdaq registraram variação positiva de 0,01% e 0,32%, respectivamente.
Já as bolsas europeias fecharam em queda acentuada. Em Londres, o FTSE 100 fechou em queda de 1,20%, enquanto Frankfurt, o DAX caiu 2,42%,e Paris, o CAC 40 perdeu 2,17%. Já em Milão, o FTSE MIB recuou 1,97%, e em Madri, o Ibex 35 caiu 2,65%. Em Lisboa, o PSI 20 caiu 0,04%, a 9.272,47 pontos. As cotações são preliminares.
As bolsas asiáticas, por sua vez, também fecharam majoritariamente em baixa. O índice japonês Nikkei caiu 1,35% em Tóquio, em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 2,14% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi cedeu 1% em Seul e o Taiex perdeu 0,90% em Taiwan.
Ouro
A negociação do contrato futuro de ouro fecharam em alta de 1,21%, cotado a US$ 5.311 por onça-troy.
No domingo (10), fontes afirmaram que os fluxos físicos de ouro em Dubai foram interrompidos, após as companhias aéreas cancelarem voos devido aos ataques ao Irã, que continuarão contidos nos próximos dias
Já a prata, que chegou a operar com forte alta com a busca por refúgio, encerrou o dia em baixa de 4,76%, a US$ 88,85 por onça-troy.
Dólar
O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à busca por ativos seguros.
Apesar da pressão, a divisa norte-americana terminou o dia longe do pico do pregão, com exportadores e parte dos investidores aproveitando as cotações mais elevadas para vender moeda.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,60%, aos R$ 5,1651.
“O dólar subiu demais, então o exportador vende, o investidor desmonta posição comprada, em busca de resultados”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Ainda assim, a divisa norte-americana terminou em alta ante o real, em sintonia com o avanço quase generalizado ante as demais moedas no exterior.
“O sinal claro é de aversão ao risco, de aumentar a busca por ativos de maior proteção, por exemplo o ouro, mais líquidos, e o dólar ganha força, não só perante a moeda brasileira, mas perante todo o mundo”, pontuou no início do dia Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.
*Com informações da Reuters e Agência Estado


