Bolsa sobe apoiada em Petrobras e na alta do petróleo; dólar vai a R$ 5,16
Primeiro pregão de março foi marcado pela volatilidade em meio a escalada da tensão geopolítica com guerra do Oriente Médio

O Ibovespa fechou em leve alta nesta segunda-feira (2), blindado pelas ações da Petrobras em meio à disparada do petróleo no exterior, em um começo de março com aumento no risco geopolítico após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã no fim de semana.
Os temores relacionados à guerra no Oriente Médio se traduziram no avanço firme do dólar, para mais próximo dos R$ 5,20, com os investidores se preparando para um conflito prolongado que ameaça interromper as rotas comerciais globais e reacender as pressões inflacionárias.
O Ibovespa fechou em alta de 0,28%, a 189.307,02 pontos.
O principal índice da bolsa marcou 186.637,98 pontos na mínima e 190.110,43 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somava R$ 28,95 bilhões antes dos ajustes finais.
Já o dólar à vista fechou em alta de 0,60%, cotado a R$ 5,165 na venda.
Apesar da pressão, a divisa norte-americana terminou o dia longe do pico do pregão, com exportadores e parte dos investidores aproveitando as cotações mais elevadas para vender moeda.
“O dólar subiu demais, então o exportador vende, o investidor desmonta posição comprada, em busca de resultados”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Ainda assim, a divisa norte-americana terminou em alta ante o real, em sintonia com o avanço quase generalizado ante as demais moedas no exterior.
“O sinal claro é de aversão ao risco, de aumentar a busca por ativos de maior proteção, por exemplo o ouro, mais líquidos, e o dólar ganha força, não só perante a moeda brasileira, mas perante todo o mundo”, pontuou no início do dia Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.
De acordo com o gestor de multimercados Felipe Sze, do ASA, o conflito no Oriente Médio e a consequente redução do tráfego no Estreito de Ormuz forçam uma precificação imediata de risco geopolítico que sobrepõe os fundamentos de curto prazo.
"Espera-se um cenário de altíssima volatilidade diante da imprevisibilidade da escalada militar e dos riscos diretos à infraestrutura de energia", afirmou.
Ele pontuou que o viés para o petróleo é de alta a cada dia em que o conflito não se resolve, mas avalia que os preços devem cair de forma acentuada assim que houver uma resolução.
"Como o mercado reage hoje a uma interrupção de fluxo precaucional, e não a danos físicos permanentes, qualquer sinalização de normalização deve gerar uma correção rápida nos preços", acrescentou Sze.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que havia projetado que a campanha norte-americana duraria de quatro a cinco semanas, mas que poderia se prolongar.
Em um evento na Casa Branca, ele disse que ordenou aos militares dos EUA que atacassem o Irã para impedir o desenvolvimento nuclear de Teerã e um programa de mísseis balísticos que, segundo ele, estava crescendo rapidamente.
Wall Street abriu em queda sob efeito da aversão a risco com a escalada da tensão no Oriente Médio, mas o movimento negativo arrefeceu e o S&P 500 fechou praticamente estável.
Na bolsa paulista, a cena externa mais negativa endossou alguma realização de lucros, após o Ibovespa somar alta de 4% em fevereiro, mais uma vez determinada pelo fluxo de estrangeiros, com saldo positivo de R$ 16 bilhões no mês até o dia 26.
De acordo com relatório da estrategista Emy Shayo, do JPMorgan, após reuniões com investidores nos Estados Unidos, o Brasil ainda é o preferido na América Latina e está entre os "overweight" em mercados emergentes.
Shayo elencou entre os principais fatores para essa visão positiva o ciclo de afrouxamento monetário próximo no país e um posicionamento ainda leve de investidores institucionais locais, enquanto a eleição não é vista como um risco imediato.
Estrategistas da XP revisaram o valor justo que enxergam para o Ibovespa para 196 mil pontos no final do ano, de 190 mil pontos antes, citando a queda dos juros reais longos em fevereiro.
No curto prazo, porém, Fernando Ferreira e equipe destacaram que o índice de Sentimento XP segue em níveis de "otimismo extremo" em 100 (de 0 a 100), "o que normalmente indica potencial para uma realização/correção".
*Com informações da Reuters.


