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    Dólar sobe mais de 1,2% e se aproxima de R$ 5 após planos para indústria; Ibovespa perde 0,8%

    Anúncio bilionário do governo federal dá novo fôlego ao temor compromisso com as contas públicas

    Por volta das 15h20, o Ibovespa caía 0,94%, a 126.432,04 pontos
    Por volta das 15h20, o Ibovespa caía 0,94%, a 126.432,04 pontos NurPhoto via Getty Images

    Da CNN*

    São Paulo

    O dólar voltou a se aproximar do patamar psicológico de R$ 5 e o Ibovespa encerrou em queda nesta segunda-feira (22), em repercussão aos anúncios do governo federal em investir R$ 300 bilhões em créditos e subsídios para a indústria, dando novo fôlego à preocupação com o compromisso fiscal.

    Em paralelo, investidores aguardam pelos próximos passos dos juros na Zona do Euro e novas informações sobre a inflação dos Estados Unidos, que serão divulgados ao longo da semana.

    O dólar encerrou o dia com alta consistente de 1,23%, encerrando a R$ 4,987. Nos momentos de maior pressão, a divisa norte-americana chegou a ser negociada a R$ 4,99. O dólar não encerra acima de R$ 5 desde meados de outubro do ano passado.

    Já o Ibovespa abriu a semana com perda de 0,81%, aos 126.601 pontos, estendendo o clima negativo observado na semana passada, quando o principal indicador do mercado brasileiro fechou em queda de 2,54%, o pior desempenho semanal desde março de 2023.

     

    Investidores voltaram a temer com o equilíbrio das contas do governo neste início de semana após o anúncio do pacote bilionário para a indústria.

    A medida, que foi comemorada por empresários do setor, teve reação bastante diferente no mercado financeiro, com analistas encararam o anúncio como um sinal de piora das contas públicas.

    Mesmo com a explicação de que os recursos virão especialmente na forma de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), economistas alertam que o pacote gera percepção de risco fiscal, ou seja, o risco de gastos fora do Orçamento, mas diretamente ligado ao governo.

    Também foram revividos os temores de uso político do BNDES, o que ajudou a azedar os negócios.

    “A preocupação fiscal e a política industrial bilionária anunciada são fatores que deixam o mercado inseguro e colaboram para a nossa bolsa caminhar na contramão do exterior. A nova política industrial, com foco em incentivos fiscais para setores específicos, gerou preocupações entre investidores”, explica Lucas Almeida, sócio da AVG Capital.

    O humor também foi pressionado por mudanças nas indicações do Citi para papéis de varejo do Brasil. O movimento foi liderado pela Renner (LREN3), com queda de 5,44%, após banco norte-americano rebaixar recomendação aos clientes de compra para neutra.

    Alpargatas (ALPA4) e Magazine Luiza (MGLU3), seguiam no mesmo caminho, com queda de 2,64% e 3,94%, respectivamente.

    Cenário global

    Na cena internacional, investidores abrem a semana à espera da decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira (25), e da divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos antes da reunião do Federal Reserve (Fed), marcada para o fim do mês.

    Na semana passada, a realocação de expectativas pela queda dos juros nos EUA mexeu com o humor dos mercados diante de novas projeções de que as taxas somente serão reduzidas após março.

    *Com informações de Reuters