Ibovespa fecha em queda de 0,36% à espera de decisão de juros nos EUA e Brasil; dólar sobe a R$ 4,95
Gol (GOLL4) volta a ser destaque negativo ao perder mais de 33% na sessão

O Ibovespa fechou em queda e o dólar voltou a alcançar o patamar de R$ 4,95 nesta segunda-feira (29), com todas as atenções do mercado voltadas à decisão dos juros nos Estados Unidos e no Brasil, nesta quarta-feira (31).
Na cena local, dados publicados pelo Tesouro mostraram que o governo federal fechou 2023 com déficit de R$ 230,5 bilhões, segundo pior da história.
Segundo a pasta, o resultado de 2023 foi majorado devido, principalmente, ao pagamento do estoque de precatórios em dezembro, que não estava previsto, no valor de R$ 92,4 bilhões.
Diante destas pressões, o Ibovespa encerrou o dia com perda de 0,36%, aos 128.502 pontos.
Após abrir em alta, o dólar também caía conforme investidores aguardavam as decisões de política monetária, de olho ainda nas tensões geopolíticas.
O dólar à vista fechou em alta de 0,82%, negociado a R$ 4,951, em sintonia com o avanço da divisa norte-americana no exterior, colocando fim a sequência de quatro sessões de perdas ante o par brasileiro.
Juros no radar
O foco de investidores estava totalmente voltado para a reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), que se encerrará na quarta-feira (31).
Apesar da ampla expectativa de manutenção dos juros nesta semana, o mercado está atento a possíveis sinalizações do banco central norte-americano sobre quando começará a cortar os custos dos empréstimos.
Recentemente, muitos operadores do mercado de juros futuros dos EUA — que até o final do ano passado concentravam a maioria das apostas num primeiro corte em março - adiaram para maio a previsão para o início do afrouxamento monetário do Fed.
Por outro lado, os últimos dados econômicos pintaram um quadro de controle da inflação, com o índice de preços PCE vindo em linha com as expectativas; e um cenário de resiliência da economia, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) superando as previsões no quarto trimestre.
Enquanto isso, no Brasil, o Banco Central (BC) também divulgará o resultado de sua reunião de política monetária na quarta-feira, com visão praticamente consensual de nova redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, a 11,25%.
Gol afunda e Magazine Luiza anuncia aumento de capital
As ações da Gol (GOLL4) foram, mais uma vez, o destaque negativo do pregão, na esteira do pedido de recuperação protocolado nos Estados Unidos, no fim da semana passada.
Os papéis encerraram o dia com perda de 33,61%. Desde o anúncio de recuperação, na quinta (25), os papéis da companhia já caíram quase 40%.
As ações do Magazine Luiza (MGLU3) fecharam com perda de 0,48% após a varejista anunciar aumento de capital privado de R$ 1,25 bilhão. Os acionistas controladores da empresa — a família Trajano — injetarão até R$ 1 bilhão, enquanto o banco BTG Pactual se comprometeu a investir até R$ 250 milhões.
Já as ações com maior peso no mercado tiveram desempenho misto. Os papéis da Vale (VALE3) perderam 0,47%, mesmo após os preços do minério de ferro na China atingirem uma máxima de três semanas nesta segunda-feira, em meio à esperança de aumento da demanda devido a políticas de apoio ao mercado imobiliário chinês e à expectativa de mais estímulo.
Na direção oposta, Petrobras (PETR4) valorizou 1,53% mesmo com a perda de força do petróleo no mercado global.
Governo apresenta déficit
As contas do governo central, que engloba Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, registraram déficit primário recorde de R$ 230,5 bilhões em 2023.
Mesmo com o resultado, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que há uma perspectiva de melhora nas contas públicas e reversão dos resultados negativos.
“Nossa sinalização para o horizonte de médio prazo é de reversão desta tendência que vem acontecendo em mais de uma década, de piora a cada um desses ciclos (…). Esperamos que a partir de 2024 o movimento de recuperação fiscal fique mais nítido”, disse Ceron à imprensa ao comentar os resultados nesta segunda.
*Com informações de Reuters


