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    Juros futuros voltam a cair com IPCA e consolidam apostas em Selic estável

    No fim da tarde, taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,525%, ante 10,569% no ajuste anterior

    IPCA abaixo do esperado alimentou otimismo
    IPCA abaixo do esperado alimentou otimismo Getty Images/Matthias Kulka

    Reuters

    As taxas dos DIs voltaram a ter fortes baixas nesta quarta-feira (10), de 20 pontos-base entre alguns vencimentos, ainda em meio ao movimento mais recente de retirada de prêmios de risco da curva a termo brasileira e com a inflação de junho, melhor que o projetado, favorecendo o movimento.

    Com a nova queda, a curva consolidou as apostas de que o Banco Central (BC) manterá a taxa básica Selic em 10,50% em sua reunião de política monetária no fim do mês.

    No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 – que reflete a política monetária no curtíssimo prazo – estava em 10,525%, ante 10,569% do ajuste anterior.

    Já a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 11,07%, ante 11,185% do ajuste anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,305%, ante 12,47%.

    Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 11,75%, ante 11,954%, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 11,77%, ante 11,952%.

    O movimento de retirada de prêmios da curva foi disparado na quarta-feira da semana passada (3), quando houve uma mudança no tom do discurso do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de criticar o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e a política monetária, voltando a defender o ajuste fiscal.

    Nesta quarta, os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reforçaram a tendência baixista das taxas futuras.

    O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o indicador de inflação subiu 0,21% em junho, após alta de 0,46% no mês anterior. No acumulado de 12 meses até junho, o IPCA teve alta de 4,23%, contra elevação de 3,93% do mês anterior.

    A pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,32% em junho e elevação de 4,35% em 12 meses.

    De acordo com Alexandre Maluf, economista da XP, esta foi uma “boa leitura” para o IPCA.

    “Acredito que a grande surpresa em relação às projeções – e a minha, inclusive – tenha vindo de alimentação no domicílio. Os alimentos realmente mostraram uma devolução de uma forte alta que havia sido registrada no IPCA de maio”, disse Maluf em comentário enviado a clientes.

    Os dados do IBGE mostraram que a alta dos preços de alimentação no domicílio desacelerou de 0,47% em maio para 0,66% em junho.

    Assim, a ponta curta da curva voltou a ceder nesta quarta-feira, enquanto a ponta longa desabou – neste caso, com a retirada de prêmios em função dos desdobramentos mais recentes do cenário no Brasil e no exterior.

    “Foi bem-recebido o número de inflação mais baixo, que ajuda a despressurizar a parte mais curta da curva”, comentou Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, acrescentando que a queda na ponta longa foi uma continuidade do movimento mais recente.

    “No exterior, já havia nas últimas semanas uma melhora de percepção de risco, mas os ativos domésticos vinham na contramão por conta de ruídos causados pelo governo. Com o barulho se dissipando desde a última quarta-feira, abriu-se espaço para queda das taxas”, acrescentou.

    Os rendimentos dos Treasuries também tiveram baixas leves no exterior nesta quarta-feira, o que favoreceu os DIs, com investidores atentos ao novo dia de depoimento do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso dos Estados Unidos.

    Em sua fala, Powell disse que ainda não está pronto para concluir que a inflação nos EUA está caindo de forma sustentável para 2%, a meta perseguida pela instituição, mas afirmou que tem “alguma confiança nisso”. O chair do Fed disse ainda que a inflação baixou, mas os preços ainda estão altos.

    Durante a tarde, já após o depoimento de Powell, os preços dos futuros dos Fed Funds indicavam 73,3% de probabilidade de o Fed promover algum corte de juros em sua reunião de setembro, conforme a ferramenta CME FedWatch.

    Neste cenário, perto do fechamento no Brasil, a curva a termo precificava 90% de chances de manutenção da taxa Selic em 10,5% ao ano no fim deste mês e 10% de possibilidade de alta de 25 pontos-base.

    No início da semana passada, antes da moderação do discurso do governo, as apostas majoritárias eram de elevação da Selic – algo que o próprio BC tem indicado que não está em seu cenário-base.

    Às 16h37, o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para decisões de investimento – caía 1 ponto-base, a 4,286%.