Mercadante: Fortalecer mercado é tarefa do BNDES e IPOs precisam voltar

Presidente do banco de desenvolvimento defendeu democratização do acesso ao mercado financeiro como fator de impulso à renda variável

João Nakamura e Rachel Amorim, da CNN, São Paulo e Rio de Janeiro
Compartilhar matéria

Para o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, "é tarefa de um banco público" fortalecer o mercado de capitais, que os processos de IPOs (abertura de capital das empresas) precisam voltar.

"O mercado de capitais só se fortalece com o setor privado, com os bancos privados fortes, dinâmicos e criativos, mas o banco público pode criar pontes de fomentar o mercado de capitais", pontuou Mercadante em seminário desta quarta-feira (24).

"O desenvolvimento precisa do mercado de capitais, especialmente numa economia moderna e contemporânea como é o caso da nossa economia."

O BNDES está "verdadeiramente dedicado" a fortalecer o mercado financeiro, segundo Mercadante, e melhorar sua participação na riqueza nacional.

O presidente do banco destacou como o setor representa 191% do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, 159% do Japão, 148% do Canadá, 59% da China e, no Brasil, 36%.

"Temos que melhorar esse número", ressaltou Mercadante, acrescentando que "é fundamental o Brasil voltar a fazer IPO, porque a capacidade de capitalização das empresas no mercado de capitais, o custo independe da Selic ou de qualquer outra coisa".

No processo de desenvolvimento de uma empresa, a abertura de capital é uma virada de chave substancial: aumenta drasticamente a capacidade de financiamento da companhia, mas também a expõe a uma série de pré-requisitos de compliance e governança.

Desde 2021, o Brasil vive uma seca de IPOs. O cenário incerto desde então e os juros elevados são as principais justificativas ouvidas no mercado para o vácuo de abertura de empresas.

Com a Selic vindo numa crescente desde aquele ano, e acima de dois dígitos desde 2022, a renda fixa ganhou forte atratividade. O que se argumenta é que seria um risco empresas tentarem abrir capital e competir com essa rentabilidade.

"O mercado secundário forte e o mercado primário consistente impulsionam a industrialização e a inovação, especialmente nesses tempos que nós temos que ter mais velocidade, mais agilidade e mais capacidade de inovação", afirmou Mercadante.

"Precisamos fortalecer o mercado de renda variável, estimular o mercado de ações, fortalecer os mecanismos de financiamento da economia brasileira", pontuou, ressaltando a importância de se democratizar o acesso ao mercado de capitais e diversificar instrumentos para que os investidores tenham mais segurança, interesse e o mercado esteja mais próximo do cidadão de renda média.

Fraudes financeiras

Mercadante também afirmou que a instituição “está empenhada em combater fraudes financeiras”.

Segundo ele, o BNDES vem ampliando a cooperação com órgãos de fiscalização, citando o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e a Receita Federal.

“Temos nos esforçado bastante para contribuir para essa melhoria no ambiente interno porque isso atrai o pequeno investidor”, disse Mercadante.

Durante evento sobre o desenvolvimento do mercado de capitais realizado na sede do BNDES, no Centro do Rio de Janeiro, Mercadante avaliou que a criação de um ambiente institucional mais transparente e protegido é fundamental para ampliar o acesso de empresas e cidadãos ao mercado de capitais.

“Segurança jurídica e integridade são condições básicas para o desenvolvimento econômico sustentável”, acrescentou.

Os debates sobre formas de fortalecer e democratizar o mercado de capitais para alavancar setores estratégicos da economia contaram com a presença do presidente em exercício, Geraldo Alckmin (PSB).

Acompanhe Economia nas Redes Sociais