Ibovespa cai a 171 mil pontos e dólar sobe a R$ 5,21
Bolsa paulista começa segundo semestre refletindo certa cautela de agentes financeiros; incertezas no exterior e com eleições mexem com câmbio
A bolsa paulista começou o segundo semestre refletindo certa cautela de agentes financeiros, em uma quarta-feira (1º) também marcada por menor apetite a risco no exterior, enquanto Vale era um contrapeso positivo relevante.
O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caiu 0,2%, a 171.688,61 pontos.
Estrategistas do BTG Pactual reduziram marginalmente o risco na sua carteira de ações 10 SIM recomendada para julho, citando um cenário mais incerto pela frente e a ausência de claros catalisadores de curto prazo.
Em relatório enviado a clientes, eles afirmaram que as ações brasileiras parecem baratas, mas também citaram que elas perderam espaço perante investidores estrangeiros.
"Com a inflação acima da meta, o Banco Central do Brasil tem pouco espaço para cortar os juros. E com os juros de curto prazo prestes a subir nos EUA, isso limita ainda mais a sua capacidade de reduzir as taxas de juros locais", afirmaram.
"Ao mesmo tempo, o aumento dos gastos do governo às vésperas das eleições presidenciais de outubro está pressionando as taxas reais de longo prazo, que encerraram junho em 7,9%."
O início do ciclo de cortes na taxa Selic em março endossou o movimento positivo que prevaleceu na bolsa paulista no começo do ano, e foi apoiado principalmente por estrangeiros.
Boa parte da alta, porém, foi devolvida com uma reprecificação das expectativas sobre os próximos passos do BC (Banco Central) que passaram a apontar um ciclo de afrouxamento monetário mais curto do que o esperado.
Estrategistas do Goldman Sachs também citaram aumento da incerteza política com a eleição presidencial no país se aproximando, mas reiteraram a recomendação "overweight" para o Brasil em portfólio de ações de mercados emergentes.
Também afirmaram que o Brasil continua sendo o seu mercado acionário preferido na América Latina e que o mercado parece barato tanto em relação às taxas de juros de longo prazo quanto aos padrões observados em ciclos anteriores de queda de juros.
"Qualquer alívio na reprecificação mais agressiva das expectativas para os juros decorrente da redução dos preços de energia tende a favorecer as ações domésticas mais sensíveis aos juros", acrescentaram.
No exterior, o norte-americano S&P 500 rondava a estabilidade no primeiro pregão de julho, com a cena geopolítica dividindo as atenções com dados econômicos.
A sessão também era marcada pelo avanço nos rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA, enquanto investidores aguardam dados do mercado de trabalho norte-americano previstos para a quinta-feira (2).
Câmbio
Enquanto isso, o dólar iniciou o dia em alta ante o real e a maior parte das demais divisas no exterior, com investidores reagindo a novos dados de emprego nos Estados Unidos nesta manhã.
Mesmo após ter perdido fôlego depois que o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que as expectativas e os riscos de inflação diminuíram nas últimas semanas, a divisa voltou a subir após o indicador da ADP revelar nesta manhã a criação de 98 mil postos de trabalho no setor privado dos Estados Unidos em junho, abaixo dos 118 mil esperados.
No meio da tarde, o dólar à vista subiu 0,92%, aos R$ 5,2102 na venda. Na terça-feira (30), a moeda americana fechou com queda de 0,19%, aos R$ 5,1626.
Após os dados, o dólar se mantinha em alta também ante o euro, a libra e o iene - neste caso, com a moeda japonesa próxima da menor cotação em 40 anos.
O dólar também subia ante divisas de países emergentes como o peso chileno, a rupia indiana e o real.
No mesmo horário, o índice do dólar - que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas - subia 0,21%, a 101,404.
No Brasil, destaque para a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
Lula tem 48,8% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,3% de Flávio, segundo a sondagem. Em abril, ambos estavam empatados com 48%. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
*Com informações da Reuters


