Ibovespa fecha em baixa com dados do IPCA no radar; dólar sobe a R$ 5,19

Inflação não alterou a expectativa de início do ciclo de reduções da taxa básica Selic em março, mas ainda há dúvidas sobre qual será o tamanho do primeiro corte

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em queda moderada nesta terça-feira (10), após trocar de sinal algumas vezes durante o pregão e encostar nos 187 mil pontos na máxima do dia. O índice foi pressionado pelas perdas das ações da Eneva diante da frustração de agentes financeiros com preços-teto aprovados pela Aneel para leilão de potência.

O Ibovespa fechou com recuo de 0,17%, aos 185.929,33 pontos, após marcar 186.959,29 pontos no melhor momento e 185.083,14 pontos na mínima da sessão. O volume financeiro no pregão somou R$ 28,25 bilhões.

Na véspera, o principal índice da bolsa renovou a máxima histórica pela 10ª vez em 2026 e encerrou acima dos 186 mil pontos pela primeira vez.

 

Após oscilar em alta durante boa parte da sessão, o dólar encerrou o dia perto da estabilidade no Brasil, enquanto no exterior a divisa norte-americana sustentou ganhos ante pares do real como o rand sul-africano e o peso chileno.

O dólar à vista fechou com leve alta de 0,17%, aos R$ 5,1976. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,31%.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos - cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% - vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações da moeda norte-americana a patamares mais baixos nos últimos meses.

Durante o dia, os investidores repercutiram os dados de inflação no Brasil em linha com o esperado, com alta de 0,33% em janeiro e de 4,44% em 12 meses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números do IPCA não alteraram a expectativa de início do ciclo de reduções da taxa básica Selic, hoje em 15%, em março, mas ainda há dúvidas sobre qual será o tamanho do primeiro corte: 25 ou 50 pontos-base.

Em evento do BTG Pactual pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse não ver justificativa para o atual nível de juros reais no Brasil -- patamar que, segundo ele, gera efeito de alta sobre a dívida pública que o governo não consegue contrapor com “nenhum nível de superávit primário”.

Na visão do analista Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, é muito natural um movimento "mais lateral" no mercado, com investidores embolsando lucros, após o Ibovespa renovar recordes nominais em vários pregões neste ano, sustentado principalmente pelo fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista.

Desde o começo do ano, foram dez recordes nominais considerando o fechamento. No intradia, o Ibovespa chegou a trabalhar acima dos 187 mil pontos no dia 3 de fevereiro.

Minotto acredita que o Ibovespa ficará "lateralizado, até caindo um pouco", mesmo com notícias boas, em meio à realização de lucros, para manter a tendência de alta.

Inflação no Brasil

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do Brasil, avançou 0,33% em janeiro. É a mesma variação registrada em dezembro. Nos últimos doze meses, o índice ficou em 4,44%. Em janeiro de 2025, o IPCA havia registrado variação de 0,16%.

Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (10).

O índice de janeiro de 2026 foi puxado pelo grupo transportes (0,60%). O resultado é reflexo da alta de 2,14% nos combustíveis, em especial na gasolina (2,06%). Etanol (3,44%), óleo diesel (0,52%) e gás veicular (0,20%) também apresentaram variação no mês.

Falas de Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu em evento na capital paulista que um novo governo mantenha o arcabouço fiscal criado na gestão atual e que pense um novo “desenho” para os benefícios sociais.

Ao ser questionado sobre o peso dos benefícios sociais, Haddad afirmou que o país poderia reformulá-los — mencionando a unificação gerada pelo Bolsa Família em 2003.

A investidores e empresários, Haddad ainda disse que manteria a meta de inflação, hoje em 3%. O PT (Partido dos Trabalhadores) aprovou na última semana uma resolução em que defende a revisão do percentual.

*Com informações da Reuters

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