Ibovespa bate recorde pela 10ª vez em 2026 e dólar cai a R$ 5,18
Principal índice da bolsa foi impulsionado pela valorização das blue chips em dia de maior apetite ao risco
O Ibovespa fechou acima dos 186 mil pontos e renovou a máxima histórica pela 10ª vez em 2026 nesta segunda-feira (9). A forte alta do principal índice da bolsa foi impulsionado pela valorização das blue chips Itaú Unibanco, Petrobras, Vale e Bradesco em dia de maior apetite global ao risco.
O movimento de rotação global, que favorece mercados emergentes, ganhou novo ímpeto e renovou o fôlego do mercado brasileiro em meio as expectativas com a temporada de balanços corporativos.
O Ibovespa fechou em alta de 1,80%, aos 186.241,15 pontos.
Na mínima do dia, registrou 182.950,20 pontos e, na máxima, chegou aos 186.460,08 pontos. O volume financeiro negociado no pregão foi superior a R$ 27 bilhões.
As ações do Itaú Unibanco fecharam em alta de 3,34%, Vale teve valorização de 1,96% e Bradesco subiu 1,46% no pregão. Enquanto as ações preferenciais e ordinárias da Petrobras encerram o dia com avanço de 1,83% e 2,03%, respectivamente.
No Brasil, o destaque ficou para as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento promovido pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos) em São Paulo. Galípolo afirmou que a melhora da inflação no Brasil não é a “volta da vitória” e disse que agora a autoridade monetária busca a “calibragem” em suas decisões.
"Os bancos se recuperam de uma semana negativa, beneficiados também pelo discurso moderado e independente de Galípolo, que reforçou o início do ciclo de cortes mas reforçou prudência nos movimentos", avalia Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos.
Com exceção do BTG Pactual, que, segundo segundo Perri "cai em um movimento realização de lucros após excelentes resultados trimestrais". Durante a manhã, o banco reportou lucro líquido ajustado para o quarto trimestre de quase R$ 4,60 bilhões, crescimento de 40,3% sobre o mesmo período do ano passado.
De acordo com análise técnica semanal do BB Investimentos, o Ibovespa segue em tendência de alta.
"Mas seu comportamento nas últimas três semanas desenha um padrão de esgotamento do ímpeto altista, com resistência consolidada ao redor dos 187,5 mil pontos e zona de suporte imediata em 182 mil pontos", afirmaram em relatório a clientes.
Para a equipe da Ágora Investimentos, o cenário externo pode trazer volatilidade adicional aos ativos locais, com mercados em compasso de espera por indicadores relevantes.
Dólar em queda
O recuo firme da moeda norte-americana no exterior conduziu a queda do dólar ante o real nesta segunda-feira, para abaixo dos R$ 5,20, em mais uma sessão de forte fluxo de investimentos para países emergentes como o Brasil.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,59%, aos R$ 5,1886 -- o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou aos R$ 5,1539. No ano, a divisa acumula agora baixa de 5,47%.
A queda da moeda também acontece após a China frear compra de treasuries dos Estados Unidos.
No exterior, o dólar sustentou baixas firmes ante o iene, após a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi no fim de semana. Além disso, cedeu ante o euro e a libra, com investidores à espera pela divulgação ao longo da semana de dados de varejo, inflação e empregos nos Estados Unidos.
O dia também foi de queda firme para o dólar ante moedas de países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno, restando ao real acompanhar a tendência.
“O dólar opera em queda hoje sob predominância de fatores externos: a queda acentuada do DXY (índice do dólar) e a continuidade do movimento de rotação de fluxos globais em direção a mercados emergentes”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“Além disso, o ambiente internacional favorável ao risco, marcado pela alta das bolsas nos EUA, na Europa e no Japão, tem dado suporte às moedas emergentes de forma geral, com destaque para o real.”
Conforme o serviço de informações financeiras IFR, o Brasil captou um total de US$4,5 bilhões, com US$3,5 bilhões pelo papel com vencimento para 2036 e US$1,0 bilhão com o título para 2056.
Como ocorre tradicionalmente, a expectativa é de que essa nova emissão do Tesouro abra a janela para captações internacionais por parte de empresas, o que reforça, no mercado, a perspectiva de entrada de mais dólares no país, pontuou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
“E contra o fluxo não há argumentos”, disse Rugik, que não descarta a possibilidade de um dólar ainda mais fraco no curto prazo, mais próximo dos R$5,00.
*Com informações da Reuters


