Dólar volta a R$ 5,50 após disparar mais de 3% na semana; bolsa cai 2,4%
Sessão desta sexta (10) foi marcada por aumento do temor global após novas ameaças de Trump à China; fiscal volta a pressionar cenário doméstico
Os principais indicadores do mercado financeiro brasileiro fecharam no campo negativo nesta sexta-feira (10), com investidores digerindo aumento das incertezas globais após Donald Trump ameaçar mais tarifas sobre importados da China.
Na cena doméstica, a pressão negativa veio do temor do mercado com os rumos da política fiscal, também em linha com perdas em Wall Street e nas bolsas da Europa.
O dólar à vista fechou em alta de 2,39%, negociado a R$ 5,504 na venda. Na máxima, a divisa norte-americana bateu R$ 5,517. O real teve o pior desempenho contra o dólar entre as principais moedas globais nesta sexta.
A moeda norte-americana acumulou alta de 3,17% na semana.
Seguindo o clima negativo dos mercados globais, o Ibovespa fechou com perda de 0,73%, encerrado em 140.680,34 pontos. O índice termina a semana com queda acumulada de 2,44%.
Trump sobe tom contra China
Nesta sexta, o republicano disse que não há motivo para se reunir com o presidente da China, Xi Jinping, em duas semanas na Coreia do Sul, conforme estava planejado.
Trump disse, em publicação na plataforma Truth Social, que a China tem enviado cartas a países do mundo todo dizendo que planeja impor controles de exportação sobre todos os elementos de produção relacionados às terras raras.
"Os comentários do presidente não são, obviamente, úteis para o mercado", disse Steve Sosnick, analista-chefe de mercado da Interactive Brokers.
"Finalmente superamos o pior das preocupações com as tarifas e agora nos deparamos novamente com outra rodada delas, e o tom de seus comentários foi certamente bastante agressivo."
Anúncios do governo
Investidores digerem em especial aos discursos de Lula e Haddad, que na quinta-feira (9) indicaram que o governo buscará alternativas para fechar as contas, após a medida provisória 1303, que tratava da taxação de aplicações financeiras, ter sido engavetada no Congresso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta sexta-feira na capital paulista um pacote para o mercado imobiliário: uma política que abre espaço para o financiamento de moradias para a classe média e um programa voltado a reformas e melhorias habitacionais.
O principal anúncio do dia é a nova política para a classe média. A medida estará voltada a financiar moradias a famílias que ganham entre R$ 12 mil e R$ 20 mil. Como mostrou à CNN, a medida vai, na prática, liberar dinheiro do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), segundo fontes próximas ao assunto.
Na bolsa paulista, na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em um movimento de realização de lucros e possui suporte importante em 141.300 pontos, um patamar que mantém o índice em tendência de alta no curto prazo. "A tendência de alta está por um fio", afirmaram no relatório Diário do Grafista
"Se perder a mínima, em 141.000 pontos, o índice encontrará próximos suportes em 139.300, 137.000 e 131.500 pontos (forte). Em caso de recuperação, acrescentam o Ibovespa encontrará resistências em 143.300, 144.700, 146.000 e a máxima deixada em 147.578 pontos", acrescentaram.
O Ibovespa acumula um declínio de mais de 3% em outubro, após renovar máximas em setembro, quando ampliou a alta em 2025 para cerca de 22%.


