Ibovespa recua com temor fiscal no radar; dólar sobe a R$ 5,17

Investidores acompanham dados econômicos no Brasil e sinalização de política monetária nos Estados Unidos

Manuela Miniguini e Maria Julia Blanes, da CNN Brasil*

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (5), pressionado por preocupações com o cenário macroeconômico brasileiro, além de incertezas eleitorais e geopolíticas. A baixa foi limitada pelo desempenho da Embraer, que ajudou a atenuar as perdas do índice.

A bolsa brasileira recuou 0,23%, aos 167.491,07 pontos, marcando o sétimo pregão consecutivo de queda.

Ao longo do dia, o Ibovespa chegou a recuperar o nível dos 168 mil pontos, atingindo a máxima de 168.309,55 pontos, mas perdeu força ao longo da sessão e chegou à mínima de 167.141,82 pontos.

A piora tem sido determinada principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa, com o saldo no ano positivo em pouco mais de R$ 29 bilhões até o último dia 10. Em meados de abril, porém, eram quase R$ 68 bilhões.

Apenas em agosto, de acordo com os dados da B3, houve saída líquida de R$ 7,2 bilhões.

Já no mercado de câmbio, o dólar à vista fechou em alta de 0,27%, cotado a R$ 5,1776 na venda, interrompendo uma sequência de três sessões consecutivas de queda.

A moeda norte-americana acompanhou o movimento de maior cautela dos investidores, em meio às incertezas sobre o cenário econômico brasileiro e aos fatores externos.

Os investidores se dividem entre a expectativa crescente de manutenção dos juros dos EUA em setembro, que traz algum alívio para a curva de juros, e sinais de redução da exposição a ativos brasileiros, movimento que atua na direção oposta.

Para André Shiokawa, gestor de renda fixa e moedas da Asset1, há indícios, desde a semana passada, de que investidores vêm reduzindo os riscos associados ao Brasil à medida que as eleições se aproximam. A campanha eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, próximo domingo, enquanto o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Agenda econômica

No Brasil, a agenda de dados econômicos traz poucas divulgações nesta quarta-feira.

Pouco antes da abertura de mercado, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que o setor de serviços brasileiro ficou estável em junho na comparação com o mês anterior, contrariando expectativa de economistas de nova queda, mas corroborando tendência de enfraquecimento da economia.

"De modo geral, vemos o setor de serviços seguir a tendência geral da atividade econômica, que é de moderação. Esperamos que o PIB cresça 0,5% no segundo trimestre, confirmando a tendência de moderação que temos visto nos dados setoriais, o que, na nossa visão, permitirá ao Copom seguir com o ciclo de calibração da Selic, levando a taxa de juros a 13,25% ao final de 2026", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

No exterior, investidores acompanham o índice de preços ao consumidor dos EUA, indicador que sinaliza sobre a trajetória de política monetária do Federal Reserve (o banco central americano).

O CPI teve alta de 0,1% em julho na comparação mensal, com avanço de 3,4% na base anual. Os resultados dentro do esperado enfraquecem o argumento para uma alta dos juros no próximo mês.

Já o núcleo do índice subiu 0,2% sobre o mês anterior e teve alta de 2,5% na base anual, também igualando as expectativas, de acordo com os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

Petróleo e dólar enfraquecidos perante exterior

Lá fora, o índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas, tem alta de 0,19%, sustentado mais por novas tensões no Golfo Pérsico, com ataques separados de Estados Unidos e houthis do Iêmen a navios, com o Irã afirmando que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os EUA aceitem suas condições.

Os ataques e ofensivas, no entanto, não alavancaram os preços do petróleo como visto anteriormente. Às 11h, o Brent cedia 0,15%, a US$ 88,81 o barril, enquanto o WTI recuava 0,10%, a US$ 83,12.

Já os contratos futuros do minério de ferro ncerrou o pregão diurno com alta de 0,14%, a 720,5 iuanes (US$ 106,80) por tonelada métrica em Dalian, na China. Os ganhos são sustentados pelas chuvas torrenciais causadas devido ao tufão Dolphin.

A tempestade mais forte a atingir a China neste ano interrompeu dezenas de projetos de construção na província central de Hubei, agravando as perturbações no lado da demanda.

Ações de destaque

A companhia ​de aluguel e ​gestão de frotas de veículos pesados Vamos cederam quase 4% após apresentar seus resultados do segundo trimestre. Em lucro líquido ajustado, a empresa registrou R$ 101 milhões, alta de 21,8% sobre ⁠o ​resultado apresentado um ano ​antes, superando as estimativas do ⁠mercado

A empresa, ​que ‌é parte da holding Simpar, ⁠teve um resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado de R$ 972 ‌milhões de ⁠abril ‌ao final de junho, 8,4% acima do apurado no segundo ⁠trimestre de ⁠2025.

Analistas, em média, esperavam lucro líquido de ‌R$ 90 milhões para a Vamos no período, com Ebitda de R$ 966 milhões, segundo dados ‌compilados pela LSEG.

No entanto, após a empresa anunciar que aceleraria a aquisição de ativos novos na segunda metade do ano, depois de segurar as compras no primeiro semestre, as ações voltaram a subir no pregão. Às 16h16, as ações da Vamos subiam 0,36%, a R$ 2,80.

A Direcional, por sua vez, chegou a ceder 7% depois de divulgar seu balanço do segundo trimestre. A empresa registrou lucro líquido de R$ 213 milhões no primeiro trimestre, alta de 30% na comparação anual e na linha com as expectativas de mercado.

Em teleconferência com analistas sobre os resultados, o diretor-presidente da empresa, Ricardo Gontijo, acrescentou que o grupo irá ajustar o volume de lançamentos em função das vendas e não irá construir estoque.

Segundo o diretor financeiro da Direcional, Paulo Sousa, o foco da companhia está na geração de caixa, e ele disse que não irá alavancar a empresa acima dos patamares "confortáveis" de 20%. Às 16h17, as ações da empresa caiam 4,09%, a R$ 10,57.

Na outra ponta do Ibovespa, as metalúrgicas, siderúrgicas e mineradoras são os únicos setores que unimamente sobem nesta quarta-feira. A empresa registrou lucro líquido de R$ 213 milhões no primeiro trimestre, alta de 30% na comparação anual

O bom resultado do minério de ferro na China melhorou o humor dos mercados e, no mesmo horário, as empresas Vale, CSN Mineração, Gerdau, Sid Nacional e Usiminas subiam entre 0,56% e 3,56%.

*Com informações da Reuters

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