Ibovespa fecha em queda com tensão no Oriente Médio; dólar vai a R$ 5,13
Investidores monitoram troca de ataques intensos entre Estados Unidos e Irã, enquanto Petrobras e CSN Mineração tentam sustentar índice

O Ibovespa começou a semana pressionado negativamente pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã nesta segunda-feira (13). Investidores monitoraram, principalmente, o anúncio que Donald Trump deve aplicar um pedágio de 20% no Estreito de Ormuz.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,20%, a 175.739,08 pontos. Ao longo do pregão, a Bolsa oscilou entre a mínima de 175.567,05 pontos e a máxima de 178.153,90 pontos.
No mercado de petróleo, a divulgação das tarifas dos Estados Unidos e o bloqueio de portos iranianos impulsionaram a commodity, que voltou a subir e deu fôlego às ações do setor.
Nesse cenário, enquanto a maior parte dos papéis opera em queda, a Petrobras ajuda a sustentar o Ibovespa, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais da estatal avançam 3,60%, enquanto as ordinárias sobem 2,85%, amenizando as perdas do índice.
O dólar, por sua vez, fechou em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior.
A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 0,46%, aos R$ 5,1314.
Petróleo dispara e geopolítica se tensiona
O anúncio de Donald Trump foi feito por meio da rede social Trush Social, plataforma própria por onde costuma publicar decisões como essa. Na publicação, o americano disse que o estreito está aberto e que os Estados Unidos são o "guardião" da via.
"Estamos restabelecendo o BLOQUEIO IRANIANO, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos", disse ele.
"Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como “O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ”, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo", afirmou o presidente.
Sobre o bloqueio aos portos, Trump afirmou que a medida impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos. Todos os outros países terão uso livre e irrestrito ao Estreito de Ormuz.
A tensão entre os dois países já estava se itensificando nos últimos dias, com as forças dos EUA e do Irã trocando ataques intensos com mísseis e drones durante o fim de semana.
Nesta manhã, Teerã estendeu o conflito e atacou as instalações dos EUA no Golfo, afirmando ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, o que havia feito os preços do petróleo subirem pela manhã.
O Estreito de Ormuz é território essencial para a negociação da commodity mundo a fora, responsável pela exportação de um quinto do combustível fóssil no mundo todo.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro deste ano, os preços do petróleo passaram por muitos altos e poucos baixos, chegando a ser negociado a US$ 120 o barril.
O bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã elevou os preços da energia e alimentou preocupações com a inflação em todo o mundo. Os valores mais altos da gasolina, por exemplo, são tópicos politicamente delicados para Trump às vésperas das eleições para o Congresso em novembro.
*Com informações de Paula Arend Laier e Fabricio de Castro, da Reuters


