Dólar vai a R$ 5,31 com disparada de juros futuros; Ibovespa fecha em queda
Investidores também repercutiram balanços corporativos, enquanto continuam monitorando a situação do conflito no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (13), sem conseguir sustentar a tentativa de recuperação do começo do pregão, enquanto o dólar fez o caminho contrário e encerrou acima dos R$ 5,30 com a disparada dos juros futuros. O mercado seguiu cauteloso diante da tensão e incertezas com a guerra no Oriente Médio.
Os agentes no Brasil analisam ainda os dados fortes do setor de serviços divulgados pela manhã, que reforçam a perspectiva de que o Banco Central corte a taxa básica de juros em apenas 25 pontos-base na próxima semana, e não em 50 pontos-base, como era precificado antes da guerra. No entanto, com o forte avanço das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) durante a tarde, o mercado passou a refletir a chance, ainda que minoritária, de manutenção da Selic em 15%.
O Ibovespa fechou em queda 0,91%, a 177.653,31 pontos - na semana, acumulou um declínio de 0,95%.
O principal índice da bolsa marcou 180.995,79 pontos na máxima e 177.321,97 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 29,48 bilhões.
Já o dólar à vista encerrou o dia com alta de 1,34%, cotado a R$ 5,3166 na venda. Na semana, a divisa acumulou alta de 1,43% ante o real e, no ano, passou a registrar queda de 3,14%.
De acordo com o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, o mercado acionário brasileiro se ressente, embora com menos intensidade do que antes, do ambiente avesso a risco nos mercados globais.
Mas, acrescentou, há ingredientes adicionais, como o IPCA de fevereiro, divulgado na véspera, e o anúncio de aumento de preços de combustíveis pela Petrobras, que trazem um ambiente mais restritivo para a decisão do Banco Central na semana que vem.
"Vejo que o movimento afeta não somente as expectativas para a reunião da próxima semana, mas também em relação à duração e intensidade dos cortes de juros, pressionando taxas de desconto que refletem na bolsa local", afirmou.
A disparada do petróleo tem trazido preocupações sobre os efeitos na inflação e, consequentemente, em políticas monetárias no mundo, minando o apetite a risco nos mercados.
A alta da commodity enfraqueceu os índices de ações em Wall Street, ao mesmo tempo que o dólar se firmou em alta ante o real, em sintonia com o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior.
"O conflito com o Irã ainda está em uma fase em que a incerteza e a volatilidade implícita são extremamente elevadas", destacaram estrategistas do Citi em relatório a clientes nesta sexta-feira.
Câmbio
O dólar fechou a sexta-feira em forte alta no Brasil e acima dos R$ 5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, após uma piora generalizada dos ativos de risco ao redor do mundo em função do conflito no Oriente Médio.
Com o barril do petróleo tipo Brent novamente acima dos US$ 100 em Londres, o dólar à vista fechou a sessão com alta de 1,34% no Brasil, aos R$ 5,3166, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
Internamente, o Banco Central realizou pela manhã um "casadão" - leilões simultâneos de venda de dólares no mercado à vista e de negociação de contratos de swap cambial reverso.
O Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso - neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.
Ao fazer o "casadão", o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em que o dólar tem sido pressionado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Porém, o efeito do "casadão" sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.
Em sua operação regular de rolagem, que também tende a não influenciar as cotações, o BC vendeu no fim da manhã 50.000 contratos (US$ 2,5 bilhões) de swap cambial tradicional visando o vencimento de 1º de abril.
Petróleo no radar
O petróleo Brent para maio (ICE), referência global, fechou em alta de 2,67%, para US$ 103,14 o barril. Na semana, acumulou alta de 11,27%
Já o WTI para abril (Nymex), o petróleo bruto de referência dos EUA, avançou 3,11%, negociado a US$ 98,71 o barril - com alta de 8,59% no acumulado da semana
A guerra no Oriente Médio segue em curso, com o Irã afirmando que navios devem se coordenar com sua Marinha para passar pelo Estreito de Ormuz, por onde são transportados cerca de 20% do petróleo mundial.
Já os Estados Unidos emitiram uma isenção de 30 dias para que os países comprem produtos petrolíferos russos sancionados que estão atualmente no mar, na esperança de aliviar os preços do petróleo e do gás.
Após exibir leves baixas na manhã desta sexta-feira, o petróleo Brent virou para o positivo e oscilou novamente acima dos US$ 100 o barril, mantendo os temores de que a guerra espalhe inflação pelos países, incluindo o Brasil.
"Houve uma piora no exterior, com o petróleo voltando aos US$ 100, com a indefinição na guerra. O dólar também estará subindo ante os pares do real", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
*Com informações da Reuters


