Ibovespa fecha em queda com novo tarifaço dos EUA no radar; dólar sobe

Brasil é o primeiro país a receber tarifa após investigação comercial do USTR

Da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (16), pressionado principalmente pelas ações das blue chips Vale e Itaú Unibanco, com a penúltima sessão da semana também marcada pela repercussão do anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos para o Brasil.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,24%, a 173.825,27 pontos, tendo marcado 173.536,57 na mínima e 176.011,31 na máxima do dia.

Os EUA anunciaram no final da noite de quarta-feira a imposição de tarifas de 25% sobre muitas importações do Brasil, ao mesmo tempo em que divulgaram uma lista de exceções mais ampla do que o esperado. As novas tarifas devem entrar em vigor em 22 de julho.

O dólar fechou em alta no Brasil, pouco abaixo dos R$ 5,10, refletindo o avanço da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior e as preocupações em torno da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,40%, aos R$ 5,0984.

No Brasil, este movimento da moeda teve respaldo ainda das preocupações do mercado em torno da tarifa de 25% dos EUA sobre uma série de produtos brasileiros a partir de 22 de julho, conforme anunciado pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR na sigla em inglês).

Ainda que a lista de exceções seja mais ampla que o esperado, a tarifação de produtos como etanol, máquinas agrícolas, papel e aço tem potencial para afetar setores específicos da economia brasileira, impactando o fluxo de dólares para o país.

 

Na economia brasileira e na bolsa paulista, os impactos econômicos tendem a ser limitados, segundo analistas.

"As tarifas impactam pontualmente alguns setores de forma muito forte, mas, quando olhamos para a bolsa no consolidado, esse impacto não é tão significativo", destacou o analista João Daronco, da Suno Research, em e-mail para comentar a notícia.

Ele chamou a atenção para o fato de que grandes empresas listadas na B3 como Vale e Suzano têm suas operações mais relacionadas com a China do que com os EUA, assim como os bancos -- que têm peso relevante no Ibovespa -- têm pouca relação com a América do Norte.

"Ao olhar alguns ativos que poderiam ter mais impacto, como carnes e aeronaves, caso de Embraer e de alguns frigoríficos, fica evidente que a exclusão deles da lista acaba por diminuir ainda mais o impacto possível que essa nova tarifa teria dentro do Ibovespa", acrescentou.

Para a equipe do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, "embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos".

Eles também avaliam que os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições no Brasil em outubro, conforme relatório enviado a clientes nesta quinta-feira.

*Com informações da Reuters 

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