Ibovespa fecha em queda com aversão a risco global; dólar sobe a R$ 5,06
Mercado monitora cenário geopolítico e desdobramentos de novas medidas tarifárias do governo norte-americano contra o Brasil
O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira (3), embalado pela maior aversão aos ativos de risco nos mercados globais após novos ataques envolvendo os Estados Unidos e o Irã no Oriente Médio, pressionando os preços do petróleo e as perspectivas para a inflação.
Os investidores também monitoraram os desdobramentos das novas medidas tarifárias do governo norte-americano contra o Brasil.
O Ibovespa fechou com baixa de 2,22%, aos 170.330,63 pontos.
Já o dólar à vista encerrou com alta de 1,12%, cotado a R$ 5,0661.
Entre as moedas negociadas globalmente, o real foi a que teve pior desempenho, com as cotações refletindo também a busca pela segurança do dólar antes do feriado de Corpus Christi e o mal-estar com a nova ameaça tarifária ao Brasil.
O dólar fechou a quarta-feira pré-feriado em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior após novos ataques de EUA e Irã no Oriente Médio.
As tensões no Oriente Médio se intensificaram nesta quarta-feira após o Irã realizar ataques no Kuweit, danificando um aeroporto e ferindo dezenas de pessoas, ao mesmo tempo em que militares dos EUA realizaram ataques perto do Estreito de Ormuz.
Os ataques geraram uma nova onda de tensão nos mercados globais, fazendo os preços do petróleo fecharam em alta.
"Com a recente escalada das tensões no Oriente Médio, acredita-se que uma resolução rápida e eficaz esteja se distanciando", disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.
Adicionalmente, novas ações tarifárias dos EUA contra o Brasil também trazem temores aos investidores. Depois de defender uma cobrança de 25% sobre várias exportações brasileiras, o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 10% ou 12,5% sobre vários países, incluindo o Brasil, por falhas no combate ao trabalho forçado. No caso do Brasil, a tarifa seria de 12,5%.
Em reunião ministerial na manhã desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil "não pode aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana".
No Brasil, os dados da produção industrial de abril, acima do esperado, reforçaram as preocupações com o controle da inflação, em meio a uma onda de revisões para cima de projeções no mercado.
A cautela pré-feriado de Corpus Christi também impacta os negócios no país nesta quarta-feira.
"A bolsa está simplesmente realizando tudo que subiu ontem e dando continuidade na sequência de quedas. Ela [a bolsa] ainda tem alvos para baixo. É o movimento normal, mas que também guarda relação com a deterioração do cenário da guerra e a piora na relação entre Brasil e Estados Unidos nas últimas semanas. Tudo isso faz com que o investidor não queira ficar posicionado", disse Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.
*Com informações da Reuters

