Ibovespa fecha em alta com eleições e juros no radar; dólar vai a R$ 5,52
O principal índice da bolsa avança nesta quinta-feira após dois pregões fechando no negativo

O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (18), após duas quedas seguidas, em movimento endossado por Wall Street e com as ações da petrolífera Brava Energia (BRAV3) e da fabricante de papel e celulose Suzano (SUZB3) entre os destaques positivos.
Investidores também repercutiram dados mais fracos do que o esperado sobre a inflação nos Estados Unidos e declarações do presidente do Banco Central do Brasil de que "não há portas fechadas" nem "setas dadas" para as decisões envolvendo a Selic, enquanto seguem acompanhando noticiário sobre eleições no país.
O Ibovespa fechou em alta de 0,38%, aos 157.923 pontos.
Na véspera, o Ibovespa chegou a trabalhar abaixo dos 157 mil pontos, em parte pressionado por receios políticos. Em duas sessões, acumulou um declínio de mais de 3%, considerando dados de fechamento.
Já o dólar perdeu força no Brasil, após subir a R$ 5,56 pela manhã, e encerrou o dia praticamente estável ante o real, em sintonia com a melhora mais ampla dos ativos brasileiros após o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçar em entrevista à imprensa que a decisão sobre a Selic em janeiro ainda não está tomada.
A esperança de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ainda seja o principal nome da direita na eleição presidencial também tirou força da moeda norte-americana, em meio ao noticiário político do dia.
O dólar à vista fechou em leve alta de 0,04%, aos R$ 5,5244. No ano, a moeda acumula baixa de 10,59%.
BC reduz a chance de inflação estourar teto da meta em 2025
A autoridade monetária projeta que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerre 2025 em 4,4%, dentro do limite superior de tolerância da meta. A meta é de 3%, com intervalo de tolerância de até 4,5%.
De acordo com o último Boletim Focus, o mercado passou a ver o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 4,36% em 2025, ante 4,4% na pesquisa anterior. Já para o próximo ano, a estimativa foi reduzida de 4,16% para 4,10%.
Para fazer a inflação convergir para a meta, o BC mantém a Selic, a taxa básica de juros, em um patamar mais elevado.
Já para 2026, a previsão é que a inflação fique em 3,5%.
Inflação dos EUA
A inflação nos Estados Unidos desacelerou em novembro para a menor taxa desde julho.
O Índice de Preços ao Consumidor registrou alta de 2,7% em relação ao ano anterior, depois de atingir 3% em setembro, de acordo com dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho do país divulgados nesta quinta-feira (18).
Os números de outubro não foram calculados, uma vez que a paralisação de 43 dias do governo federal prejudicou a capacidade das agências estatísticas de coletar, processar e analisar dados econômicos.
Em um período de dois meses, os preços ao consumidor subiram 0,2% de setembro a novembro, resultando em uma taxa média de 0,1%. Em setembro, os preços subiram 0,3% em termos mensais.
Economistas previam que os preços subiriam a uma taxa mensal de 0,3% em novembro, mantendo a taxa anual de inflação inalterada em 3%, segundo estimativas da FactSet.
O relatório desta quinta (18) mostrou que uma medida importante da inflação subjacente também apresentou desaceleração.
Excluindo alimentos e energia, categorias cujos preços tendem a ser bastante voláteis, o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,2% de setembro a novembro (média mensal de 0,1%), reduzindo acentuadamente a taxa anual para 2,6%, ante 3% em setembro.
Galípolo: Não há portas fechadas na decisão dos juros
O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (18) que a comunicação da autoridade monetária busca preservar flexibilidade na condução da política de juros, sem antecipar decisões ou sinalizar movimentos futuros ao mercado.
“Não há setas dadas nem portas fechadas na decisão dos juros. A ideia é usar o período entre as reuniões para reunir dados e avaliar o cenário antes de tomar qualquer decisão”, disse Galípolo.
*Com informações da Reuters


