Ibovespa fecha em alta com alívio no preço do petróleo; dólar cai a R$ 5,21

Mercado também repercutiu decisão do Banco Central de cortar a Selic em 0,25%, para 14,75% ao ano, na quarta-feira (18)

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa recuperou o fôlego e fechou em alta nesta quinta-feira (19), revertendo as perdas registradas em boa parte da sessão e ultrapassando 181 mil pontos no melhor momento. O avanço da bolsa aconteceu em sintonia com o alívio no preço do petróleo no pós-mercado - mais cedo, o barril do brent chegou a tocar os US$ 119 após ataques do Irã a instalações de energia no Oriente Médio.

Em meio a uma série de resultados corporativos, investidores da bolsa paulista também repercutiram decisão do Banco Central de cortar a Selic em em 0,25%, para 14,75% ao ano. Na véspera, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) adotou um discurso cauteloso quanto a futuras reduções em função da guerra com Irã.

O Ibovespa fechou em alta de 0,35%, aos 180.270,62 pontos.

O principal índice da bolsa marcou 176.295,71 pontos na mínima chegou a 181.250,84 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 38 bilhões.

Já o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,52%, cotado a R$ 5,2164 na venda.

O barril sob o contrato Brent superou US$ 119 brevemente nesta quinta-feira, após o Irã atacar instalações de energia no Oriente Médio, mas desacelerou o movimento e terminou a US$ 108,65, em alta de 1,18%, o que corroborou a melhora do sentimento de investidores no pregão brasileiro.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC abriu um aguardado ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75%, mas defendeu cautela à frente, citando “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

Também nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que deixa o cargo nesta quinta-feira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o comando da pasta será assumido por Dario Durigan, atual secretário-executivo do ministério.

De acordo com Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, há um ambiente de incerteza global, que acaba abrindo espaço para correções na bolsa paulista, principalmente após fortes valorizações desde o começo do ano.

Câmbio

Depois de oscilar em alta ante o real na maior parte do dia, na esteira das decisões sobre juros do Brasil e dos EUA, o dólar virou para o negativo à tarde e fechou a quinta-feira em queda, em sintonia com a melhora dos mercados no exterior.

O dólar à vista fechou a sessão com baixa de 0,52%, aos R$ 5,2164, acompanhando o recuo firme da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano.

No ano, a divisa passou a registrar queda de 4,98%.

No início da sessão o dólar chegou a ultrapassar os R$ 5,30, acompanhando o avanço naquele momento das cotações no exterior e refletindo as decisões de política monetária da véspera, quando o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% e o Banco Central do Brasil cortou a Selic de 15% para 14,75%.

No meio da tarde, porém, a moeda norte-americana perdeu força ante o real, também acompanhando a derrocada da divisa dos EUA no exterior, em paralelo à queda dos Treasuries e dos preços do petróleo.

Assim, após registrar a cotação máxima intradia de R$ 5,3150 (+1,36%) às 10h12, o dólar à vista despencou para a mínima de R$5,2024 (-0,79%) às 16h06. O movimento esteve em sintonia com a melhora dos demais ativos brasileiros, com o Ibovespa virando para o positivo e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) migrando para o território negativo no meio da tarde.

No exterior, o recuo da moeda norte-americana era forte neste fim de tarde, com o índice do dólar - que mede o desempenho da moeda frente a uma cesta de seis divisas fortes - caindo 0,97%, a 99,227.

No início do dia, o Banco Central do Brasil vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

Ao fazer o chamado "casadão", o BC eleva a liquidez no mercado à vista em momentos de estresse como o atual, em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos (US$2,5 bilhões) de swap cambial tradicional, para rolagem do vencimento de 1º de abril.

*Com informações da Reuters

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