Dólar e Ibovespa recuam em dia de incertezas sobre guerra no Oriente Médio

Movimento acompanhava escalada de tensão, com expectativas de negociações entre Estados Unidos e Irã

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O dólar caiu e o Ibovesapa oscilou entre ligeiras baixas e altas no pregão desta segunda-feira (20), com os investidores de olho no conflito do Oriente Médio.

A divisa norte-americana encerrou o dia em queda de 0,42% ante o real, negociada em R$ 5,0896 na venda à vista.

"Tivemos um dia de alívio em nossa taxa de câmbio, refletindo um ambiente externo ligeiramente mais favorável, com redução das tensões no mercado de petróleo após notícias sobre possíveis iniciativas de mediação entre Estados Unidos e Irã", observa Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

Ela ainda acrescenta que, aqui no Brasil, o elevado diferencial de juros continua sustentando o fluxo de forma especulativa para ativos brasileiros, o que também favorece o real.

Reação do mercado à guerra

Já o Ibovespa registrou variação entre pequenas altas e baixas ao longo do dia. Pprém, ao final do dia, o indicador fechou o pregão em baixa de 0,2%, na casa dos 173.371,35 pontos.

O pregão aparentou apresentar mais uma rotação entre setores do que um movimento consistente de alta do mercado, segundo o planejador financeiro Jose Áureo Viana, MBA em Finanças pela B7 Business School.

"O Ibovespa iniciou o pregão em leve alta, acompanhando a expectativa de recuperação dos mercados internacionais e o alívio parcial provocado por sinais de possível mediação no conflito entre Estados Unidos e Irã. Ao longo do dia, entretanto, perdeu força e passou a oscilar próximo da estabilidade", explica.

"O índice encontra algum suporte nas altas de Petrobras e de parte dos grandes bancos, além da queda do dólar e dos juros futuros. Em sentido contrário, Vale recua acompanhando a baixa do minério de ferro e limita o desempenho da bolsa por seu peso relevante no índice", pontua.

As forças dos Estados Unidos atacaram o Irã pelo nono dia consecutivo nesta segunda-feira, enquanto crescem as preocupações com a navegação no Estreito de Ormuz após o Irã afirmar que dois petroleiros explodiram e ficaram imobilizados.

A Guarda Revolucionária Islâmica informou nesta segunda-feira que atingiu aeronaves dos EUA no aeroporto de Aqaba, na Jordânia, com mísseis balísticos, além de instalações e equipamentos militares americanos no campo de Al-Adiri e na Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, bem como alvos na Síria.

Sirenes de alerta soaram na manhã desta segunda-feira no Bahrein, informou o Ministério do Interior do país, enquanto o Exército do Kuwait afirmou estar interceptando drones hostis durante um ataque iraniano.

Após o petróleo avançar na madrugada, com o Brent em US$ 91 o barril, a commodity passou a cair, mas na sequência voltou a apresentar volatilidade, dado o cenário incerto, com a cotação em US$ 88.

O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira que recebeu propostas por mediadores para reduzir as tensões com os Estados Unidos.

Mais cedo, disse que qualquer negociação deve respeitar os interesses nacionais do país e que os direitos soberanos sobre o Estreito de Ormuz são inegociáveis.

O cenário mais provável para os próximos dias na bolsa é de continuidade da volatilidade e de um mercado ainda sem direção claramente definida, indica Viana.

"O desempenho dependerá principalmente das novas informações sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, do comportamento do petróleo e da reação das ações de tecnologia em Nova York", avalia.

"Um avanço das negociações diplomáticas poderia reduzir o preço da energia, favorecer a queda do dólar e dos juros e beneficiar as ações domésticas. Por outro lado, uma nova escalada militar poderia aumentar a aversão ao risco", conclui.

Focus

No Focus, a mediana para o a inflação de 2026 caiu pela terceira semana seguida, desta vez de 5,16% para 5,15% - 0,65 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4 50%.

A estimativa para 2027 continuou em 4,20%.

Já a mediana para a inflação de 2028 - que entra no horizonte relevante da política monetária do Banco Central -,aumentou de 3,70% para 3 78%.

Não houve alterações nas expectativas para a Selic.

"Embora o Boletim Focus tenha mostrado poucas alterações nas expectativas, a inflação segue acima da meta, o que mantém cautela em relação ao ritmo de flexibilização da política monetária. Assim, a tendência é de o dólar permanecer oscilando dentro de uma faixa relativamente estreita, acompanhando principalmente a evolução do cenário externo e dos riscos domésticos", pontua Cristiane Quartaroli.

Com Reuters e Estadão Conteúdo 

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