Ibovespa fecha em alta com expectativa pelo fim da guerra; dólar cai a R$ 5

Índice superou 178 mil pontos no melhor momento em pregão de recuperação

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (20), superando 178 mil pontos no melhor momento, em pregão de recuperação na bolsa paulista, endossada pelo cenário externo favorável.

Além dos desdobramentos no Oriente Médio, investidores também digerem a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, que ressaltou preocupações os dirigentes do Fed quanto ao risco de a inflação ser impulsionada pela guerra no Irã se intensificaram no mês passado. O documento afirma que um número crescente de dirigentes afirmam que o banco central deveria preparar o terreno para um possível aumento das taxas de juros.

O Ibovespa fechou em alta de 1,77%, aos 177.355,73 pontos.

Já o dólar à vista encerrou com baixa de 0,76%, cotado a R$ 5,0031 na venda. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,85% ante o real.

O dólar voltou a ceder para perto dos R$ 5,00 nesta quarta-feira, em uma sessão marcada por maior apetite ao risco em todo o mundo, com os investidores otimistas sobre um possível acordo de paz entre Irã e Estados Unidos.

As cotações do petróleo também recuavam nesta sessão, corroborando a melhora no apetite a risco, mas a cautela quanto a um desfecho no conflito no Oriente Médio permanece, assim como a interrupção no fornecimento do Oriente Médio, mantendo preocupações com os reflexos do novo patamar de preço da commodity para a inflação no mundo.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na terça-feira a parlamentares na Casa Branca que os Estados Unidos "terminarão a guerra muito rapidamente" com o Irã. Nesta quarta-feira, Trump disse a jornalistas que não tem pressa em encerrar o conflito com o Irã, afirmando que atingir os objetivos da missão é mais importante do que estabelecer um cronograma para sua conclusão.

Na visão do analista Gabriel Mollo, Daycoval Corretora, o mercado global segue operando sob a lógica de uma guerra prolongada no Oriente Médio, e não mais apenas sob a volatilidade dos anúncios de Trump.

"A manutenção do Estreito de Ormuz parcialmente comprometido mantém o (preço do) petróleo em patamares elevados...reforçando a leitura de inflação global mais persistente", acrescentou.

No cenário doméstico, Mollo observou aumento da incerteza política, com o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro contaminando a percepção eleitoral para 2026, após pesquisas indicarem perda de competitividade do pré-candidato do PL à Presidência frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"O mercado interpreta esse enfraquecimento como redução da probabilidade de alternância política e, por consequência, menor chance de uma agenda fiscal mais ortodoxa no próximo ciclo", acrescentou.

Do ponto de vista gráfico, analistas do Itaú BBA afirmaram que o Ibovespa entrou em uma tendência de baixa no curto prazo e terá que superar a região de 179.500 pontos para retornar a um cenário neutro, conforme o relatório Diário do Grafista, enviado a clientes nesta quarta-feira.

*Com informações da Reuters 

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