Ibovespa bate recorde pelo 3º dia e fecha aos 175 mil pontos; dólar cai

Principal índice da bolsa brasileira segue o bom humor global e chegou a atingir o patamar dos 177 mil durante o pregão

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
Painel eletrônico na B3, em São Paulo
Painel eletrônico na B3, em São Paulo  • 06/07/2023 REUTERS/Amanda Perobelli
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O Ibovespa renovou a máxima pelo terceiro dia seguido e fechou acima dos 175 mil pontos pela primeira vez na história nesta quinta-feira (22), chegando a superar o patamar dos 177 mil pontos durante o pregão. A alta é endossada pela continuidade do viés positivo no exterior, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizar na véspera o tom em relação à Groenlândia.

O movimento de rotação global de capital em busca de diversificação observado nos últimos pregões, com saída parcial de ativos americanos, segue favorecendo os países emergentes, como o Brasil.

O Ibovespa fechou em alta de 2,20%, aos 175.589,35 pontos.

Na máxima, chegou a 177.741,56 pontos, após superar pela primeira vez as marcas de 172 mil, 173 mil, 174 mil, 175 mil, 176 mil e 177 mil. Na mínima, na abertura, marcou 171.817,23 pontos.

O pregão registrou um volume financeiro expressivo novamente, somando R$ 44,1 bilhões -- contra uma média diária de R$ 30 bilhões no ano e de R$ 24 bilhões em 2025.

Dados da B3 corroboram a percepção do fluxo de capital externo, com um saldo positivo de quase R$ 8,8 bilhões em janeiro até o último dia 20. No ano passado, a bolsa brasileira registrou entrada líquida de estrangeiros de cerca de R$ 25 bilhões.

O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira e o alívio das tensões relacionadas à Groenlândia no exterior voltaram a pesar sobre o dólar, que encerrou o dia abaixo dos R$ 5,30 pela primeira vez em 2026.

O dólar à vista fechou em queda de 0,71%, a R$ 5,2833 na venda --  a menor cotação de fechamento desde 11 de novembro do ano passado, quando atingiu R$ 5,2746. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,75%.

Para Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, as declarações do presidente Donald Trump ajudaram a reduzir as tensões geopolíticas e melhoraram o humor das bolsas globais, o que se traduziu em mais apetite por risco no Brasil.

"A alta da bolsa hoje reflete principalmente o aumento da posição do investidor estrangeiro no Brasil, que já vinha presente no mercado e agora intensifica a alocação diante de um cenário externo mais favorável."

Para Molo, com o dólar mais calmo e a expectativa de juros mais baixos à frente, o Ibovespa segue renovando máximas, enquanto fatores domésticos ficam em segundo plano.

O analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, diz que a bolsa brasileira ainda está barata e que o cenário é favorável para o investidor estrangeiro.

"Estamos nos aproximando também das divulgações do quarto trimestre, com guidance, temos um país que vai crescer, com uma taxa de juros que vai cair. Então, temos aqui um mercado alinhado, negociando ainda abaixo da média histórica de preço/lucro. O vento ainda é favorável, pelo menos até a reabertura do Congresso em março, com o investidor estrangeiro voltando-se para o Brasil."

De acordo com a Genial Investimentos, o movimento de saída parcial de ativos americanos, observado nos últimos pregões, segue favorecendo os países emergentes e bolsa se beneficia tanto do ambiente global quanto de leituras políticas domésticas vistas como marginalmente mais favoráveis ao risco.

Na véspera, pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o senador Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto em outubro.

O levantamento indica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente em todos os cenários de primeiro e segundo turnos testados pelo instituto, mas aponta ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) registram a mesma diferença em relação ao petista em uma disputa direta: 49% a 45%.

Analistas ouvidos pela CNN Brasil também sugerem que a alta da bolsa é impulsionada pelos investidores brasileiros, por dois movimentos distintos.

O primeiro é a realocação de recursos que estavam em CDBs do Banco Master, isso porque o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou a pagar nesta semana os credores da instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central -- serão pagos R$ 40 bilhões entre 800 mil investidores.

O segundo motivo, de acordo com agentes do mercado, que contribui para que o Ibovespa renove recordes é o medo do investidor brasileiro de ficar fora desse movimento de alta, conhecido como FOMO (fear of missing out).

"Tanto é verdade que muitas empresas seguem subindo forte, a despeito de preços estáveis de commodities e com juros ainda sem apresentar movimento de queda estrutural na curva de juros", disse um analista de investimentos.

*Com informações da Reuters

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