Ibovespa e dólar fecham em alta com prévia da inflação e à espera do Fed
Mercados também repercutem novas pressões sobre ações de inteligência artificial, em uma semana recheada de balanços de big techs, enquanto o temor do avanço da China sobre o setor ajuda a alimentar apreensão

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (28), sustentado pela desaceleração mais forte que o esperado do IPCA-15 e pelo consequente reforço nas apostas de novos cortes da taxa básica de juros pelo BC (Banco Central).
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,70%, a 176.564,75 pontos, após marcar 175.326,40 na mínima e 178.538,64 na máxima do dia.
A prévia da inflação subiu 0,06% em julho, desacelerando em relação à alta de 0,41% registrada em junho. Segundo pesquisa da Reuters, o mercado esperava avanço de 0,20% no mês e inflação acumulada de 4,67% em 12 meses.
O resultado reforçou a percepção de que o BC (Banco Central) pode encerrar o ciclo de aperto monetário na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), marcada para a próxima semana.
No cenário internacional, as atenções se voltam para a decisão de política monetária do Fed (Federal Reserve), prevista para quarta-feira (29). A expectativa predominante é de manutenção dos juros nos Estados Unidos, seguida da coletiva de imprensa do presidente da instituição, Jerome Powell.
No mercado de câmbio, o dólar fechou a sessão com leve alta ante o real, com os agentes assumindo uma posição de cautela às vésperas da decisão de juros, em meio a mais uma sessão de recuo do petróleo no exterior.
O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,17%, aos R$ 5,1219.
Mercados também repercutem novas pressões sobre ações de inteligência artificial, em uma semana recheada de balanços de big techs, enquanto o temor do avanço da China sobre o setor ajuda a alimentar o clima de apreensão.
Os mercados também seguem repercutindo a nova queda nos preços do petróleo, apesar da falta de sinais concretos de conversas entre EUA e Irã após a suspensão das hostilidades no Oriente Médio no fim de semana.
Na mesma hora, os contratos futuros do Brent - base para o mercado global - perdiam cerca de 5,79%, a quase US$ 83,29 o barril.
Já o WTI - referência nos EUA - cedia mais de 4,81%, ao redor de US$ 78,59 o barril.
IPCA-15 e Fed
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), considerado a prévia oficial da inflação, registrou alta de apenas 0,06% em julho, praticamente estável em relação ao mês anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (28).
O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado. A projeção da Reuters apontava avanço de 0,19%, enquanto a Broadcast estimava alta de 0,21%.
A leve variação do índice foi impulsionada, principalmente, pelo grupo habitação, que avançou 0,97%. Nesse segmento, a energia elétrica residencial teve alta de 3,03%, exercendo o maior impacto individual sobre o resultado do mês, de acordo com o IBGE.
Por outro lado, a inflação mais contida foi favorecida pela deflação no grupo de alimentos e bebidas, que recuou 0,66%. A alimentação no domicílio caiu 1,14%, com destaque para as reduções nos preços do tomate (-19,95%), da batata-inglesa (-10,03%) e do café moído (-3,13%).
Os dados foram divulgados a pouco mais de uma semana da decisão de política monetária do Banco Central, que atualmente mantém a taxa Selic em 14,25% ao ano.
A expectativa do mercado é de um corte final de 0,25 ponto percentual, reduzindo os juros básicos para 14% ao ano.
No cenário internacional, o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) inicia nesta terça-feira uma nova reunião de política monetária, com a decisão sobre os juros prevista para as 15h de quarta-feira.
A expectativa predominante é de manutenção da taxa básica na faixa de 4,25% a 4,50%, enquanto os dirigentes seguem monitorando os impactos das tensões no Oriente Médio e seus possíveis reflexos sobre a inflação global.
Temor por IA
Apreensão com o mercado tech volta a pressionar os mercados nesta semana, com investidores à espera de novos dados de gigantes do setor.
Os mercados globais têm se tornado cada vez mais voláteis neste mês à medida que investidores analisam a necessidade de mais gastos corporativos em infraestrutura de IA, como semicondutores que sustentaram os fortes ganhos das ações do setor de chips no trimestre anterior.
Sinais de que as maiores empresas de Wall Street, como a Alphabet e a Tesla, estão ficando sem caixa para financiar suas ambições também deixavam os mercados nervosos, enquanto a China apresenta modelos de IA mais baratos e aprofunda sua presença no competitivo setor de semicondutores.
“Caso a Microsoft, a Amazon ou a Meta também anunciem uma queda semelhante em seus níveis de fluxo de caixa livre, isso reacenderá as preocupações de que essas empresas continuarão a gastar, mas os gastos extras terão que ser feitos por meio da emissão de ações e títulos”, afirmou Ipek Ozkardeskaya, analista sênior da Swissquote.
Quando Amazon.com, Meta, Apple e Microsoft divulgarem seus resultados nesta semana, os investidores estarão ansiosos para ver se seus investimentos, avaliados em várias centenas de bilhões de dólares, estão gerando retorno.
Com Reuters e Estadão Conteúdo


