Ibovespa fecha em queda após semana de recordes; dólar cai a R$ 5,19

Principal índice da bolsa superou os 186 mil pontos na abertura, mas foi pressionado pelo humor negativo que tomou os mercados acionários de Nova York

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
Compartilhar matéria

O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (29) após abrir o dia em forte alta e superar o patamar dos 186 mil pontos pela primeira vez, renovando a máxima intradia no início do pregão. Até a abertura de Wall Street, os ativos no Brasil mostravam força, depois do Banco Central ter sinalizado a intenção de cortar a taxa básica Selic em março.

O mergulho dos índices de ações em Nova York, na esteira dos resultados de empresas de tecnologia, contaminou os mercados ao redor do mundo, fazendo o principal índice da bolsa virar para o negativo.

O cenário eleitoral também pesou no humor dos investidores após o governador Tarcísio de Freitas, em visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmar que não há qualquer dúvida sobre seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro nas eleições deste ano.

O Ibovespa fechou com recuo de 0,84%, aos 183.133,75 pontos.

Na mínima, marcou 181.566,56 pontos e, na máxima, registrou 186.449,75 - maior nível intradia registrado na história do índice.

Para Jose Áureo Viana, planejador financeiro e sócio da Blue3 Investimentos a sessão foi um bom retrato de “digestão” pós-superquarta.

"Pela manhã, o Ibovespa foi impulsionado pela leitura de que o Copom abriu caminho para iniciar a flexibilização na próxima reunião, o que o mercado viu de forma muito positiva. Conforme o pregão avançou, porém, o mercado doméstico passou a acompanhar o exterior mais negativo, principalmente com a mudança de humor em Nova York após balanços de big techs e discussões sobre investimentos elevados em IA, o que pressionou, sem dúvidas, o apetite por risco e tirou fôlego da alta doméstica", explica.

Viana avalia que o recorde intradiário teve muita reprecificação local e a virada tem correlação com o “risk-off” no exterior, além de realização de lucros depois de um movimento forte no mês.

O dólar teve uma sessão de volatilidade alta e encerrou o dia em queda ante o real, abaixo dos R$ 5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O dólar à vista fechou com recuo de 0,27%, aos R$ 5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$ 5,1539 de 28 de maio 2024. No ano, a divisa acumula baixa de 5,37%.

O avanço do dólar ante o real no início de tarde ocorreu em sintonia com o ganho de força da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, incluindo pares do real na América Latina.

O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.

Na quarta-feira (28), o BC decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, e fez a indicação de que poderá fazer um corte de juros em março, mas enfatizando que manterá "a restrição adequada" para levar a inflação à meta de 3%.

"O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", disse o BC em comunicado.

Nesse sentido, o especialista em investimentos do Grupo Axia Investing, Felipe Sant'Anna, vê a sinalização do BC com certa cautela, avaliando que ela pode indicar apenas um corte pontual em março.

"Temos que analisar. Não se surpreenda se em março, por algum motivo, tivermos a manutenção [dos juros]", disse Sant'Anna, citando como exemplo o fato dos dados do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), divulgados durante a manhã, terem iniciado 2026 com alta de 0,41%, depois de ter recuado no mês anterior, sob pressão tanto dos preços ao produtor quanto ao consumidor.

Outro ponto de atenção no plano doméstico na manhã desta quinta foram as falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em que afirmou que "com certeza" deixará o governo em fevereiro, embora tenha dito que não pode dar uma data de saída sem combinar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

BC mantém Selic

O Banco Central do Brasil manteve a taxa Selic - que mede os juros básicos do país - em 15% ao ano na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do ano, realizada nesta quarta-feira (28). A decisão foi tomada de forma unânime entre os sete diretores que compõem o colegiado.

Após seis reuniões e cinco manutenções seguidas, a Selic segue estacionada no maior patamar em 20 anos desde junho de 2025, mas o colegiado sinalizou início de cortes a partir da próxima reunião, em março. 

O Copom ainda reforçou que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta".

*Com informações da Reuters

Acompanhe Economia nas Redes Sociais