Ibovespa fecha em recorde acima de 185 mil pontos puxado por ata do Copom

Principal índice da bolsa superou os 187 mil pontos em nova máxima intradia após Banco Central sinalizar flexibilização na política monetária

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou acima dos 185 mil pontos pela primeira vez nesta terça-feira (3) após o Banco Central sinalizar corte de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em março. O movimento de valorização das ações brasileiras ainda é ancoradas pelo fluxo de capital externo para a bolsa paulista.

De acordo com dados da B3, janeiro teve entrada líquida de estrangeiros no mercado secundário de ações de cerca de R$ 26,3 bilhões, montante acima de todo o saldo positivo de 2025, de aproximadamente R$ 25,5 bilhões.

O Ibovespa fechou em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos.

Durante a manhã, o principal índice da bolsa chegou a superar o patamar dos 187 mil pontos, renovando a máxima intradia aos 187.333,83 pontos. Na mínima do dia, marcou 182.815,55 pontos. O volume financeiro somou R$ 36,47 bilhões.

A alta no pregão foi impulsionada pelas blue chips Vale e Petrobras. A mineradora terminou o dia com forte valorização de 4,92%, enquanto os papéis preferencias e ordinários da petrolífera subiram 0,91% e 1,24%, respectivamente.

O dólar encerrou o dia próximo da estabilidade ante o real, após ter cedido quase 1% durante a sessão, influenciado por um lado pelo recuo da moeda no exterior e pelo forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira, mas também pelas especulações sobre o próximo diretor de Política Econômica do Banco Central.

O dólar à vista fechou o dia com leve baixa de 0,18%, aos R$ 5,2484. No ano, a moeda acumula agora queda de 4,38%.

"O Ibovespa segue em tendência de alta de curto prazo", afirmaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista nesta terça-feira.

Investidores repercutiram nesta sessão a ata da última decisão de juros do Banco Central, que afirmou que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização monetária, que deve ser iniciado em março, serão determinadas ao longo do tempo, enquanto enfatizou necessidade de juros ainda restritivos.

"Em termos de 'forward guidance', o tom da ata do Copom foi semelhante ao comunicado da semana passada, o que interpretamos como alinhado à nossa visão de um corte de 50 pontos básicos em março (na Selic)", afirmaram economistas do JPMorgan, avaliando que dados até a próxima reunião devem reforçar tal visão.

Para Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, a ata do Copom reforçou a mensagem de flexibilização da política monetária que deve começar em março, o que trouxe otimismo ao mercado, apesar do ritmo de corte de juros não ter sido mencionado.

"Com a perspectiva de juros mais baixos no Brasil, ações de empresas do setor de varejo, consumo e construção sobem como é o caso de Cyrela, Magazine Luíza, Assaí, MRV, Lojas Renner, entre outros papeis dos setores."

Bergamo alerta para a volatilidade que o mercado pode sofrer nos próximos dias com o início da temporada de balanços do quarto trimestre de 2025. Itaú e Santander divulgam seus resultados nesta quarta-feira.

O mercado também esteve atento as últimas declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não definiu quem serão os dois novos diretores do Banco Central.

Ata do Copom

O Banco Central confirmou nesta terça-feira (3) que vai iniciar o ciclo de redução da taxa básica de juros na próxima reunião. Contudo, a autoridade monetária sinalizou na ata do Copom que vê necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos por mais tempo.

"O Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião. Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o Comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta", diz o comunicado.

Na última reunião do Copom, o colegiado decidiu manter a Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. De acordo com o comunicado divulgado nesta terça-feira (3), a magnitude e a duração do ciclo da política monetária contracionista serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises.

*Com informações da Reuters

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