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Ibovespa tomba 3% em dia de aversão global ao risco; dólar sobe a R$ 5,26

Queda da bolsa reflete como os investidores estão apreensivos sobre interrupções prolongadas nos mercados de energia e pressão inflacionária com o agravamento da guerra no Oriente Médio

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em queda de 3% nesta terça-feira (3), com a aversão global ao risco desencadeada pela escalada da guerra no Oriente Médio ditando uma forte correção negativa nas ações brasileiras, que vinham de um rali sustentado por estrangeiros. Mesmo com nova disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, as petroleiras brasileiras encerram o dia no negativo.

O principal índice da bolsa caiu 3,28%, a 183.104,87 pontos - menor patamar de fechamento desde 5 de fevereiro e maior queda percentual desde 5 de dezembro de 2025,

Na mínima do dia, marcou 180.518,33 pontos. Na máxima, 189.602,38 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 46,8 bilhões, bem acima da média diária do ano, de R$ 34,6 bilhões.

A piora externa abriu espaço para ajuste na bolsa paulista após o Ibovespa renovar recordes de fechamento em 13 pregões neste ano, apoiado pelo fluxo de capital estrangeiro, que até a última sexta-feira mostrava um saldo positivo de R$ 41,7 bilhões no ano.

Mesmo com o declínio nesta terça-feira, o Ibovespa ainda acumula uma valorização de 13,64% em 2026. Na máxima do ano, chegou a superar os 192 mil pontos momentaneamente.

Já o dólar, após se aproximar dos R$ 5,35 no início da tarde, perdeu força no Brasil e encerrou o dia em patamar mais baixo, mas ainda assim com forte alta ante o real, na esteira do acirramento do conflito entre EUA e Irã.

O dólar à vista fechou com alta de 1,91%, cotado a R$ 5,2639 na venda. Em 2026, o dólar acumula agora queda de 4,10%

"O que estamos vendo é um movimento clássico de fuga para ativos considerados mais seguros, em meio à piora do cenário geopolítico", disse Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã se intensificou desde os primeiros ataques no sábado (28), com Israel atacando o Líbano e o Irã respondendo com investidas contra países do Golfo e ameaçando navios que usarem o importante Estreito de Ormuz.

De acordo com a Genial Investimentos, o conflito entra no quarto dia sem sinais de desescalada, elevando temores de interrupções prolongadas nos mercados de energia e pressão inflacionária, deixando investidores apreensivos.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou no quarto dia sem sinais de arrefecimento. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Teerã quer dialogar, mas é tarde demais, e os EUA continuam sua operação militar.

Na véspera, o avanço robusto das ações Petrobras, na esteira do salto do petróleo, blindou o Ibovespa, mas os papéis não sustentaram o fôlego nesta terça-feira, enquanto prevaleceu a aversão ao risco, com receios sobre a inflação também no radar.

Nesta terça-feira, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de 4,7%, influenciado também pela ameaça do Irã de atacar navios que transitarem pelo crucial Estreito de Ormuz. Na véspera, havia saltado 6,7%.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a bolsa refletiu as tensões geopolíticas persistentes ocasionadas pelo conflito entre Israel, o Irã e os Estados Unidos. "Foi uma réplica do mercado exterior."

No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou o PIB brasileiro, que cresceu 2,3% em 2025.

O Ministério do Trabalho também divulgou que o Brasil abriu 112.334 vagas formais de trabalho em janeiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Economia brasileira

A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, conforme divulgou o IBGE nesta terça-feira. O dado veio em linha com a expectativa do Ministério da Fazenda.

O número marca uma desaceleração em relação a 2024, quando o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 3,4%. Nos últimos meses, a atividade brasileira sofre forte pressão dos juros altos.

Todos os setores cresceram no período: a agropecuária avançou 11,7%; os Serviços, 1,8%; e a Indústria, 1,4%.

Em valores correntes, o PIB totalizou R$ 12,7 trilhões em 2025. Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687,49, com avanço real de 1,9% frente ao ano anterior.

*Com informações da Reuters

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