Ibovespa tem melhor mês desde 2020 com alta de 12% em janeiro; dólar cai 4%

Alta foi impulsionada pelo forte fluxo de capital estrangeiro em um momento de rotação global de portfólios em busca de diversificação que favorece os países emergentes

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
Ibovespa
Painel que acompanha as ações do Ibovespa  • Cris Faga/NurPhoto via Getty Images
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O Ibovespa fechou em baixa no pregão desta sexta-feira (30), mas encerrou janeiro como o melhor mês desde novembro de 2020. A alta é impulsionada pelo forte fluxo de capital estrangeiro em um momento de rotação global de portfólios em busca de diversificação que favorece os países emergentes, como o Brasil.

Mesmo em baixa nas duas últimas sessões, o índice conseguiu reter ganho de 12,56% no primeiro mês de 2026, superando por pouco novembro de 2023 (+12,54%) e assegurando o melhor desempenho desde novembro de 2020 (+15,90%).

O principal índice da bolsa perdeu força e recuou após a indicação do presidente dos EUA, Donald Trump, para substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve. No cenário doméstico, investidores analisam a taxa de desemprego do país e o relatório de política fiscal do Banco Central.

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,97%, aos 181.363,90 pontos. 

A bolsa brasileira iniciou o dia com viés negativo, com os mercados repercutindo o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nomeou o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, para chefiar o banco central do país quando o mandato de Jerome Powell terminar, no mês de maio.

Warsh é considerado uma das opções menos radicais entre os vários nomes que foram cogitados para ocupar o cargo e é visto mais cauteloso em relação a estímulos monetários agressivos do que outros, fazendo com que parte dos agentes tenham considerado a indicação "hawkish" (dura) na comparação com outros nomes cotados nos últimos meses.

A tendência negativa do Ibovespa chegou a ser revertida no fim da manhã em meio ao desempenho positivo de alguns papéis de peso, como Petrobras contudo, a piora dos ativos no exterior no início da tarde contaminou os mercados locais, com bancos e siderúrgicas caindo em bloco e levando o Ibovespa para as mínimas da sessão, quase perdendo o patamar de 180 mil pontos.

"Sexta-feira já é um dia tradicionalmente de realização de lucros. A alta da última semana e do mês foi muito forte", destacou Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

Com desempenho desta sexta, Ibovespa acumulou alta de 1,4% na semana e de 12,56% no mês. Em 12 meses, ou um ano, o avanço chega a 42,90% no fechamento de janeiro.

"Essa tendência continua no próximo mês, com fluxo ainda positivo", disse Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, mas alertando que "os riscos globais ainda existem". No início da tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que uma grande armada dos EUA - maior que a enviada anteriormente à Venezuela - está a caminho do Irã, o que preocupou agentes do mercado.

Por sua vez, o dólar encerrou o dia com alta firme no Brasil e novamente próximo dos R$ 5,25, influenciado pela formação da Ptax de fim de mês e pelo avanço firme da moeda norte-americana no exterior, onde investidores reagiram à indicação do substituto de Powell no Fed e às tensões entre EUA e Irã.

O dólar à vista fechou com alta de 1,04%, aos R$ 5,2481, mas ainda assim encerrou o primeiro mês do ano com baixa acumulada de 4,39%. Na semana, a divisa cedeu 0,75%.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

"Apesar da desvalorização de ontem, a tendência do Ibovespa segue em direção aos 200.000 pontos", escreveram os analistas do Itaú BBA, no relatório diário do Grafista. Na véspera, o Ibovespa fechou em queda de 0,84%, a 183.313,75 pontos.

O BBA acrescentou que os índices setoriais superaram as máximas dos últimos 12 meses e alicerçam o Ibovespa na busca desse próximo objetivo. "Do lado da baixa, o índice encontra suportes em 177.700, 171.800 e 163.500 pontos – patamar que mantém a tendência de alta no gráfico diário", disse o Itaú BBA.

Mais cedo, o Banco Central informou que a dívida bruta -- um importante indicador de solvência do país -- fechou 2025 em 78,7% do PIB (Produto Interno Bruto). O percentual está abaixo dos 79% vistos em novembro, mas acima dos 76,3% do fim de 2024.

A expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters era de dívida bruta de 79,5% no fim de 2025.

Em dezembro, o setor público consolidado teve superávit primário de R$ 6,251 bilhões, acima da expectativa de R$ 3 bilhões.

Além disso, o mercado acompanhou a divulgação, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), da taxa de desemprego, que caiu a 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, menor patamar da série histórica iniciada em 2012.

Indicação ao Fed

O presidente Donald Trump indicou nesta sexta-feira (30) Kevin Warsh para a presidência do Fed (Federal Reserve). O nome ainda precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA e, se confirmado, sucederá o presidente Jerome Powell quando seu mandato terminar em maio.

Na noite de quinta-feira (29), o presidente americano havia sinalizado à repórteres que sua escolha já tinha sido finalizada e que faria o anúncio formal nesta sexta-feira.

A indicação foi anunciada por Trump em uma postagem na sua rede social.

"Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES Presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo isso, ele é o candidato perfeito para o cargo e nunca decepciona", escreveu o republicano.

*Com informações da Reuters

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