Bolsa e dólar fecham em alta após lista de exceções a tarifas de Trump
Republicano assinou ordem executiva que oficializa taxas de 50% sobre uma série de produtos brasileiros
Ibovespa e dólar fecharam em alta nesta quarta-feira (30), em reação à divulgação da Casa Branca da lista de exceções ao tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.
A bolsa brasileira encerrou o dia com alta de 0,95%, aos 133.989 pontos, com forte impulso da Embraer, que disparou quase 11%.
O dólar também encerrou em alta, apesar de se afastar dos picos observados durante o dia. A divisa norte-americana fechou a sessão com avanço de 0,36%, negociado a R$ 5,588. Nas máximas, a divisa passou de R$ 5,60.
O mercado digeriu a lista de exceções a tarifas dos Estados Unidos divulgada nesta tarde, que incluem petróleo, suco de laranja, celulose e aviões. Um decreto executivo assinado por Donald Trump confirma o tarifaço para outros produtos que não foram mencionados a partir de 6 de agosto.
Os investidores também digerem as decisões monetárias nos Estados Unidos e no Brasil. Por lá, o Fed (Federal Reserve) manteve a taxa de 4,25% a 4,50% ao ano, enquanto por aqui, a expectativa é que o Banco Central também mantenha a Selic inalterada, a 15% ao ano, e encerre o ciclo de altas.
Economia dos EUA
O PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA subiu 3% a uma taxa anualizada no segundo trimestre, recuperando-se da contração de 0,5% no trimestre anterior e superando a expansão de 2,4% projetada em pesquisa da Reuters com economistas.
Já o relatório da ADP sobre o setor privado informou que foram criados 104 mil postos de trabalho nos EUA em julho, revertendo a perda de 23 mil vagas em junho e acima dos 75 mil empregos previstos na pesquisa da Reuters.
Os dados demonstraram que a maior economia do mundo, apesar das políticas comerciais e econômicas do presidente Donald Trump, continua resiliente, afastando alguns temores sobre o impacto econômico das medidas e potencialmente reduzindo ainda mais o espaço que o Fed terá para reduzir a taxa de juros neste ano, em meio a sinais de que a inflação dos EUA já sofre o impacto das tarifas.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,51%, a 99,391.
O Fed anunciará sua próxima decisão de juros nesta quarta, às 15h, e deve manter a taxa inalterada na faixa de 4,25% a 4,50%.
Decisão de juros e tarifas do Brasil
No Brasil, a expectativa para esta quarta é de que os membros do BC decidam manter a taxa Selic em 15%, como sinalizaram que poderiam fazer na reunião anterior.
Os agentes também continuam atentos à aproximação do prazo de 1º de agosto para a implementação de tarifa de 50% pelos EUA sobre produtos brasileiros, à medida que o governo do Brasil busca negociar a taxa com Washington, mas sem obter sucesso até o momento.
"Recentemente, tivemos algumas indicações de que pode haver algum tipo de diálogo entre EUA e Brasil, isso acabou dando algum fôlego para o mercado", disse Fernanda Campolina, especialista em câmbio da One Investimentos.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que tem buscado contato com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para discutir a tarifa de 50% e que uma conversa pode acontecer quando o norte-americano retornar de viagem à Europa.
*Com informações da Reuters


