Ibovespa e dólar fecham em alta em meio a incertezas com guerra no Irã
Investidores repercutiram desdobramentos da guerra, pesquisa Focus e as falas do presidente do Banco Central

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (30), após duas quedas seguidas, encostando em 184 mil pontos no melhor momento, em movimento sustentado principalmente pelas blue chips Vale e Petrobras, enquanto o Oriente Médio segue sob o holofote. As ações da WEG ficaram entre os principais suportes, endossadas por "upgrade" do Morgan Stanley.
O Ibovespa encerrou o dia com avanço de 0,53%, aos 182.514,20 pontos
O principal índice da bolsa marcou 184.414,18 pontos na máxima e 181.559,49 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 25,56 bilhões.
Já o dólar à vista fechou com alta de 0,13%, cotado a R$ 5,2461 na venda.
Investidores também repercutem falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que defendeu parcimônia na análise dos efeitos da guerra, citando que choques de oferta como o observado neste momento provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo.
A semana também começou com pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) empatados tecnicamente e numericamente em cenários de primeiro turno para a eleição presidencial.
No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent avançou cerca de 2%, próximo aos US$ 110 o barril.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que o país está em negociações para pôr fim à guerra no Irã, mas reiterou aviso a Teerã para que abra o Estreito de Ormuz ou corra o risco de sofrer ataques norte-americanos.
"Se o Estreito de Ormuz não estiver imediatamente 'aberto para negócios', concluiremos nossa adorável 'estadia' no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg", escreveu em uma publicação em uma rede social.
No fim de semana, o Irã acusou Washington de preparar um ataque terrestre ao mesmo tempo em que sinalizava a busca por diálogo, enquanto a milícia houthi do Iêmen, apoiada pelo Irã, entrou na guerra, ampliando os riscos no conflito. Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram no domingo para discutir maneiras de acabar com a guerra.
Para o estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, a performance do Ibovespa é apoiada no movimento do petróleo, que favorece ações das empresas atreladas à commodity, o que "acaba contaminando positivamente o índice".
Em contrapartida, acrescentou, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçaram a visão mais cautelosa da autoridade monetária, o que ajuda a reduzir a força de apostas de um corte mais agressivo na taxa Selic.
"E o cenário global mais turbulento e potencialmente inflacionário reforça essa postura mais conservadora", observou Gass, ressaltando que, com isso, empresas mais dependentes de crédito e ciclo econômico acabam sendo penalizadas.
*Com informações da Reuters


