Dólar cai a R$ 5,50 e Ibovespa sobe 0,4% com tarifaço e economia dos EUA
Investidores nacionais continuam de olho no impasse comercial entre Brasil e Washington e dados para compreender cenário norte-americano

O dólar à vista fechou em queda ante o real nesta segunda-feira (4), ampliando as fortes perdas da sessão anterior, conforme os mercados globais seguem ponderando sobre a perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos, enquanto investidores nacionais monitoram o impasse comercial entre Brasil e EUA.
A divisa norte-americana caiu 0,69%, a R$ 5,5070 na venda.
Enquanto isso, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subiu 0,4%, a 132.973,26 pontos.
Dados dos EUA
Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a baixa volatilidade da moeda norte-americana no exterior, o que consolidava os ganhos que a maioria das divisas teve frente ao dólar na sexta-feira (1º), depois que os EUA apresentaram dados fracos para seu mercado de trabalho.
Os números abaixo do esperado para a criação de empregos em julho e as revisões acentuadas para os dois meses anteriores fomentaram as apostas de operadores de que o Federal Reserve poderá cortar a taxa de juros já em seu próximo encontro, em setembro.
No momento, os operadores precificam 93% de chance de os membros do Fed reduzirem os juros em 0,25 ponto percentual no próximo mês, segundo dados da LSEG.
"O relatório de julho transmitiu uma mensagem dupla: criação de empregos mais fraca do que o esperado no mês, junto de revisões significativas para baixo. Dada a ênfase de Powell (chair do Fed) nos desenvolvimentos do mercado de trabalho, essa divulgação fortalece o argumento a favor de um corte de juros em setembro", disseram analistas do BTG em relatório.
Juros mais baixos nos EUA tendem a derrubar os rendimentos dos Treasuries, o que, em consequência, pressiona o dólar nos mercados globais. No Brasil, após a divisa norte-americana fechar a sexta-feira em baixa de 0,98%, a R$ 5,5453, a perspectiva para a taxa de juros do Fed continuava favorecendo o real.
Cenário doméstico
Por outro lado, o mercado nacional continua cauteloso diante das tensões comerciais recentes entre Brasil e EUA, depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, impôs na última quarta-feira uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, mesmo que excluindo uma série de setores da taxação.
A expectativa agora é por uma conversa entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, nesta semana, o que poderia permitir em outro momento uma ligação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao longo desta semana, outros fatores também podem impactar as negociações no mercado cambial.
Publicado mais cedo, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) apurou que o Brasil abriu 166,6 mil vagas de emprego em junho.
Além disso, no radar, o Banco Central publicará pela manhã de terça-feira (5) a ata de sua reunião da semana passada, quando manteve a taxa Selic no patamar de 15%.
Mais cedo, especialistas consultados pelo Banco Central em sua pesquisa Focus reduziram pela 10ª semana seguida a perspectiva para a inflação neste ano. O levantamento apontou que a expectativa para a alta do IPCA neste ano caiu em 0,02 ponto percentual, indo a 5,07%.
*Com informações da Reuters


