Ibovespa cai 2% com forte correção após recorde; dólar fecha em R$ 5,25
Temporada de balanços, indicações ao BC e cenário negativo no exterior estiveram no radar dos investidores no pregão desta quarta-feira

O Ibovespa fechou em forte queda nesta quarta-feira (4) em um movimento de correção após renovar recorde na véspera. O principal índice da bolsa acompanhou o clima mais negativo do exterior e foi penalizado pelo setor financeiro após o Santander Brasil dar a largada na temporada de balanços.
O mercado também avalia as indicações para os cargos de diretoria do Banco Central. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou na terça-feira que indicou ao presidente Lula os nomes do economista Tiago Cavalcanti e seu secretário de Política Econômica da pasta, Guilherme Mello.
O nome de Mello, em especial, tem gerado apreensão desde a semana passada. Economista heterodoxo com graduação e mestrado pela PUC-SP e doutorado pela Unicamp, ele desagradou em um primeiro momento o mercado, que vê risco de uma guinada “dovish” (suave na política monetária) no BC.
O Ibovespa fechou em queda de 2,14%, aos 181.708,23 pontos.
As ações dos bancos foram as maiores pressões negativas no pregão, como pano de fundo tivemos alguns analistas avaliando negativamente os dados de inadimplência do balanço do Santander Brasil -- as ações do banco fecharam em queda de 2,70%.
Os papéis do BTG Pactual lideram as perdas do setor, com recuo de 4,93%, enquanto Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil recuaram 3,29%, 3,23% e 2,30%, respectivamente.
Na visão do head da área de investimentos da Gravus Capital, Paulo Monteiro, a queda no pregão paulista reflete um movimento global, que se observa em outros mercados emergentes também, como o México.
Monteiro destacou que a bolsa brasileira ainda é muito sensível ao que acontece no exterior e, assim como forte fluxo de capital externo no mês passado sustentou uma performance robusta do Ibovespa, qualquer piora no humor acaba afetando os negócios.
"O mercado sente de forma rápida, como vimos hoje", afirmou.
A queda neste pregão ocorreu após o Ibovespa renovar máximas históricas na véspera, acumulando até a terça-feira, considerando o fechamento, uma alta de mais de 15% em 2026.
O dólar, após alternar altas e baixas em diferentes momentos da sessão, encerrou a quarta-feira próximo da estabilidade no Brasil, resistindo à influência da realização de lucros na bolsa e do avanço da moeda norte-americana no exterior.
O dólar à vista fechou o dia com leve alta de 0,03%, aos R$ 5,2501. No ano, a moeda acumula agora queda de 4,35%.
De acordo com a equipe da Ágora Investimentos, sinais de exaustão já começam a surgir, como observado no comportamento do Ibovespa no pregão da véspera, embora ainda tenha encerrado o dia, novamente, em máxima histórica.
Ainda assim análise gráfica da corretora pontua que o Ibovespa ter fechado acima da região dos 185 mil pontos sugere que o mercado ainda encontra demanda relevante.
Balanço do Santander
O Santander Brasil reportou lucro líquido gerencial de R$ 4,086 bilhões para o quarto trimestre, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Previsões compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 4,03 bilhões para a unidade brasileira do banco espanhol Santander. Em relação ao trimestre anterior, o lucro aumentou 1,9%.
O ROAE (retorno sobre o patrimônio médio) do banco ficou em 17,6% no quarto trimestre, queda de 0,1 ponto percentual em comparação com o quarto trimestre de 2024 e estável em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Bolsa impulsiona fluxo cambial em janeiro
Somente na semana passada, de 26 a 30 de janeiro, entraram no país pela via financeira US$ 2,719 bilhões, com destaque para a quarta-feira, dia 28, quando o país recebeu US$ 1,245 bilhão por este canal.
O resultado ocorreu em meio ao forte fluxo de investimentos de estrangeiros para a bolsa brasileira.
Dados de empregos dos EUA
O levantamento da ADP costuma anteceder o relatório oficial de emprego dos EUA, conhecido como "payroll", que engloba dados dos setores privado e público.
A divulgação do payroll de janeiro, no entanto, foi adiada pelo BLS (Escritório de Estatísticas do Trabalho) dos EUA por conta do shutdown iniciado no fim da semana passada e que foi encerrado na tarde da terça-feira (3).
*Com informações da Reuters


