Ibovespa fecha em queda com aumento de tensões entre EUA e Irã; dólar sobe

Investidores seguem atentos ao cenário geopolítico, mas também monitoraram o anúncio de medidas de renegociação de dívidas pelo governo brasileiro

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (4), abaixo dos 186 mil pontos, com blue chips como Vale e Itaú Unibanco entre as maiores pressões de baixa, enquanto Embraer figurou entre os destaques positivos após receber encomenda do Oriente Médio.

O cenário geopolítica continuou no radar dos investidores da bolsa paulista, que, nesta sessão, também analisaram o anúncio do Novo Desenrola, programa do governo federal para renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.

O Ibovespa encerrou o dia com recuo de 0,92%, aos 185.600,12 pontos.

O principal índice da bolsa marcou 185.537,58 pontos na mínima e 187.666,20 pontos na máxima. O volume financeiro somava R$ 23,9 bilhões antes dos ajustes finais, na volta do fim de semana prolongado.

Já dólar à vista fechou o dia em alta de 0,31%, cotado a R$ 4,9679 na venda. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular queda de 9,49% ante o real.

O dólar fechou a segunda-feira com leve alta ante o real, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior, após notícias de novas ações militares do Irã no Estreito de Ormuz e ataques do país a áreas dos Emirados Árabes Unidos.

No exterior, Forças Armadas dos EUA informaram que dois destróieres do país entraram no Golfo Pérsico para romper um bloqueio iraniano e que dois navios norte-americanos transitaram pelo Estreito de Ormuz.

O Irã disse ter forçado um navio de guerra norte-americano a retornar do Estreito de Ormuz, e o Comando Central dos EUA negou prontamente a informação de um ataque com míssil divulgada pela agência de notícias semioficial iraniana Fars.

Nesse contexto, os preços do petróleo fecharam em alta, com o barril sob o contrato Brent chegando a ultrapassar US$ 115.

Na visão da equipe do BB Investimentos, as notícias sobre a guerra e seus impactos, especialmente nos preços do petróleo, continuam sendo os principais fatores que norteiam o apetite ao risco nos mercados globais.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o governo prevê utilizar até R$ 15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos no Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas.

Para estrategistas da XP, a bolsa brasileira passa por um movimento de correção, que pode continuar no curto prazo, em função de fatores técnicos, posicionamento e fluxos.

"Ainda assim, continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global e esperamos que os fluxos sigam positivos para emergentes e para o Brasil, especialmente quando os riscos geopolíticos diminuírem", afirmou a equipe chefiada por Fernando Ferreira.

"Além disso, embora o mercado tenha corrigido, as estimativas de lucro por ação continuam sendo revisadas para cima", afirmaram em relatório a clientes, elevando também o valor justo do Ibovespa para o final de 2026 para 205 mil pontos, de 196 mil anteriormente.

*Com informações da Reuters 

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