Ibovespa fecha em alta com movimento de correção após tombo; dólar cai
A melhora dos ativos no Brasil ocorre em sintonia com o aumento do apetite ao risco no exterior

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira (4), em pregão de ajustes após tombo na véspera, com ações de bancos entre os principais suportes, em dia de trégua na aversão a risco global, mas com o conflito no Oriente Médio e seus potenciais reflexos ainda no radar.
A melhora dos ativos no Brasil ocorre em sintonia com o aumento do apetite ao risco no exterior, onde os índices de ações de Wall Street também encerraram em alta e o dólar recuou ante a maioria das demais divisas. O petróleo também demonstra certa acomodação nos preços após a disparada dos últimos dias e fechou praticamente estável.
O Ibovespa fechou em alta de 1,24%, aos 185.366,44 pontos.
O principal índice da bolsa chegou a marcar 186.306,18 pontos na máxima e 183.110,02 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$ 27,3 bilhões.
Já o dólar à vista fechou com baixa de 0,86%, cotado a R$ 5,2184 na venda.
Para Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, o movimento de hoje foi de correção, tanto no mercado brasileiro quanto nos internacionais.
"O fato é que o pessimismo não acabou, o que temos é uma pausa técnica depois de uma busca intensa por proteção. O mercado agora aguarda novos desdobramentos para decidir se retoma o movimento defensivo ou se encontra espaço para alguma acomodação, especialmente se surgirem sinais de acordo em relação a guerra."
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã continua sob os holofotes, com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmando que as Forças Armadas norte-americanas podem lutar pelo tempo que for necessário.
Apesar de as operações seguirem em curso, os investidores também se apegam à notícia de que agentes iranianos entraram em contato secretamente com os norte-americanos para buscar negociações para encerrar o conflito.
No Brasil, o destaque do dia é a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Câmbio
Depois de subir quase 2% na véspera, o dólar fechou a quarta-feira em queda ante o real, em sintonia com o sinal negativo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior em dia de maior apetite global por ativos de risco, ainda que um desfecho para a guerra no Oriente Médio pareça distante.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,86%, aos R$ 5,2184. No ano, a divisa acumula agora queda de 4,92%.
O dia foi marcado pela queda firme do dólar ante divisas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real.
"Não é possível afirmar que o pior do conflito passou e, por isso, há risco da cotação [do dólar] seguir subindo", alertou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.
O movimento ocorreu em paralelo ao avanço dos principais índices de ações na Europa e nos Estados Unidos, com os ativos de risco recuperando parte das perdas recentes. O petróleo, que disparou nas últimas sessões, fechou praticamente estável..
“A estabilização dos preços do petróleo, depois da forte alta provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, ajudou a aliviar parte da pressão sobre o dólar”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
“Com isso, investidores passaram a devolver prêmios incorporados na divisa americana em um dia típico (de) ajuste técnico.”
*Com informações da Reuters


