Dólar fecha a R$ 4,91, menor valor em mais de dois anos; Ibovespa sobe
Investidores seguem atentos à situação no Oriente Médio, enquanto acompanham a temporada de balanços corporativos no Brasil
O dólar fechou em queda nesta terça-feira (5), no menor valor de fechamento em mais de dois anos, em uma sessão no geral positiva para os ativos de risco em todo o mundo apesar da guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 1,12%, a R$ 4,9123 na venda - menor cotação de fechamento desde 26 de janeiro de 2024, quando atingiu R$ 4,9110. Em 2026, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,51% ante o real.
Já o Ibovespa encerrou o pregão em alta, apoiado principalmente no desempenho das ações da Ambev, que dispararam após resultado trimestral acima das expectativas, em pregão marcado pela repercussão de uma série de resultados corporativos.
O Ibovespa fechou em alta 0,62%, aos 186.753,82 pontos
Investidores da bolsa paulista também seguiram atentos à situação no Oriente Médio, além de analisarem a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na semana passada, quando a Selic foi reduzida a 14,50% ao ano.
Na ata da reunião da semana passada, o Copom afirmou que a continuidade da guerra no Irã aumenta a chance de impactos duradouros na economia global e que o conflito já pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, especialmente a piora em expectativas de mercado.
“A ata anterior de março foi ainda no início da guerra, com um cenário de muita incerteza. Agora temos isso [os efeitos do conflito] mais claros dentro do Copom”, afirmou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos.
Gomes pontuou que os juros ainda elevados no Brasil favorecem as operações de carry trade, nas quais investidores pegam recursos em outras moedas - como o iene do Japão, onde as taxas são historicamente baixas - e aplicam no mercado brasileiro.
“A valorização do real foi puxada pela combinação de entrada de recursos comerciais - favorecida pelo petróleo ainda acima de US$ 110, que melhora os termos de troca e amplia a oferta de dólares - e fluxo financeiro, diante de um diferencial de juros elevado”, corroborou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, ao justificar a queda da moeda norte-americana nesta terça-feira.
“A ata do Copom, com tom mais conservador, reforçou a percepção de uma Selic mais alta ao fim do ciclo, sustentando o ‘carry trade’ e incentivando a alocação em renda fixa local”, acrescentou.
Para economistas do Bradesco, a ata foi bastante serena. "As poucas mudanças sugerem que o Banco Central está confiante na avaliação de que a taxa de juros é restritiva e está fazendo efeito", afirmaram, acrescentando que o cenário da área de Pesquisa Econômica do banco tem como hipótese o fim da guerra ainda neste trimestre, "permitindo a sequência do ciclo de calibração". Eles estimam que a Selic termine o ano em 12,75%.
No exterior, o barril do petróleo fechou em queda, enquanto Estados Unidos e Irã lutam pelo controle do Estreito de Ormuz, importante rota de transporte da commodity. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse nesta terça-feira que o cessar-fogo com o Irã não terminou, mesmo com os EUA e o Irã trocando tiros no Golfo.
Na visão do estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o alívio nos preços do petróleo no exterior corroborou o desempenho positivo na bolsa paulista.
"Esse recuo ajuda a reduzir a pressão inflacionária e também melhora o humor dos mercados, especialmente diante das tensões externas envolvendo o Estreito de Ormuz, que permanece fechado há cerca de dois meses, gerando incertezas relevantes", afirmou.
Ele também enxergou "um tom mais conciliador" relativo ao cenário no Oriente Médio, após o secretário de Defesa dos Estados Unidos afirmar que o Projeto Liberdade tem caráter defensivo e temporário, indicando que Washington não busca escalada de conflitos.
*Com informações da Reuters


