Dólar opera em queda com início de tarifaço dos EUA; Ibovespa avança
Dúvida que prevalece no mercado é se haverá novas isenções para a tarifa de 50% dos EUA a serem anunciadas pelo presidente Donald Trump

O dólar à vista recuava ante o real nesta quarta-feira (6), conforme os investidores navegavam por incertezas relacionadas à entrada em vigor da tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, com comentários do presidente do Banco Central também no radar.
Às 13h02, o dólar à vista caía 0,52%, a R$ 5,4781 na venda.
No mesmo horário, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,28%, a 134.852,90 pontos.
Os movimentos do real nesta sessão se assemelhavam aos observados na véspera, quando a divisa dos EUA fechou em baixa de 0,02%, com agentes financeiros resistindo a fazer grandes apostas em qualquer direção enquanto persistem incertezas sobre a questão comercial.
Cenário doméstico
Uma dúvida que prevalece no mercado é se haverá novas isenções para a tarifa de 50% dos EUA a serem anunciadas pelo presidente Donald Trump, depois que na semana passada ele excluiu produtos como aeronaves, energia e suco de laranja da taxa punitiva.
Cerca de 36% das exportações do Brasil aos EUA estão recebendo a taxa de 50% no momento.
Os investidores ainda ponderam se haverá reação de Trump à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de determinar na segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, por violações de medidas cautelares impostas a ele.
Quando anunciou a tarifa sobre produtos do Brasil no mês passado, Trump vinculou a medida, entre outros assuntos, ao tratamento que Bolsonaro vinha recebendo do STF em seu julgamento por tentativa de golpe de Estado.
"Um ponto de preocupação é que as sanções recentes dos EUA e as tarifas foram explicitamente vinculadas a insatisfações em relação a processos judiciais no Brasil. Então, investidores temem que possa haver novas escaladas das tensões", disse Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
O mercado doméstico também aguarda a apresentação de um plano de contingência pelo governo que buscará prestar assistência a setores e empresas afetadas pela tarifa dos EUA.
Mais cedo nesta quarta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o pacote de ajuda incluirá crédito para empresas e aumento de compras governamentais, acrescentando que conversará na semana que vem com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para tratar do impasse comercial.
Para além do comércio, as atenções se voltaram também para o presidente do BC, Gabriel Galípolo, que fez palestra no evento Blockchain Rio 2025, no Rio de Janeiro, às 10h.
Foi sua primeira fala pública desde a mais recente decisão da autarquia de manter a taxa de juros em 15%.
Cenário externo
No cenário externo, outros países também continuam buscando vias para negociar com os EUA, já que Trump pretende impor mais tarifas sobre parceiros na quinta-feira.
Investidores ainda esperam a indicação de Trump para uma vaga aberta na diretoria do Fed, após a renúncia antecipada da diretora Adriana Kugler na semana passada.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,17%, a 98,571.
*Com informações da Reuters


