Ibovespa tem pior semana desde 2022 e dólar sobe 2% após guerra com Irã
Além do conflito no Oriente Médio, os dados da economia dos EUA e o noticiário corporativo estavam no radar dos investidores

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (6) e teve a maior perda semanal desde 2022, ainda sob efeito das preocupações com o conflito no Oriente Médio. A Petrobras evitou um declínio mais forte da bolsa, com as ações disparando, em pregão de forte alta do petróleo no exterior e repercussão dos resultados e perspectivas da estatal.
O Ibovespa cedeu 0,61%, a 179.364,82 pontos. O principal índice da bolsa marcou 178.556,49 na mínima e 181.091,01 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$ 32,58 bilhões.
Com o desempenho após os ajustes finais de pregão, o índice acumulou uma queda de 4,99% na semana, a maior perda semanal desde o tombo de mesmo percentual da semana encerrada em 11 novembro de 2022. Acima disso, somente a perda de 5,36% da semana encerrada em 17 de junho de 2022.
Já o dólar à vista fechou em queda de 0,88%, cotado a R$ 5,2414, mas ainda assim a primeira semana de guerra no Oriente Médio foi desastrosa para o real, com a moeda norte-americana acumulando alta de 2,08% no período. No ano, o dólar passou a acumular queda de 4,51%.
A bolsa brasileira seguiu o viés negativo do exterior, com os principais de Wall Street fecharam em queda, refletindo os temores com os potenciais reflexos na inflação oriundos da guerra, em sessão também marcada por dados do mercado de trabalho norte-americano.
O dia também é marcado por dados do mercado de trabalho norte-americano. Em fevereiro, houve uma redução de 92.000 postos de trabalho nos EUA, enquanto economistas consultados pela Reuters previam abertura de 59.000 vagas. A taxa de desemprego na maior economia do mundo, por sua vez, aumentou para 4,4%.
Dada a ausência de sinais sobre um fim do conflito no Oriente Médio, a equipe da Ágora Investimentos destacou que investidores evitam aumentar suas exposições ao risco e, em alguns casos, até realizam os lucros recentes.
Nesta sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, exigiu a "rendição incondicional" do Irã na guerra que começou no último sábado, quando EUA e Israel atacaram o país, que revidou. Desde então, não houve sinais de trégua e o comentário de Trump pouco ajuda nas negociações.
Poucas horas antes do comentário de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou na rede social X que "alguns países iniciaram esforços de mediação". Ele destacou que o país está comprometido com a paz duradoura na região, mas que o Irã não hesitará em defender a sua dignidade e a sua autoridade.
A crise paralisou o transporte marítimo no Estreito de Ormuz, fluxo vital de petróleo e gás daquela região, o que fez preço da commodity disparar e tem alimentado preocupações com o efeito na inflação e seus reflexos em políticas monetárias no mundo, principalmente nos EUA.
Dólar
O dólar, após oscilar acima dos R$ 5,30 em alguns momentos da manhã, se firmou em baixa no Brasil durante a tarde desta sexta-feira, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda e com o enfraquecimento da divisa dos EUA também no exterior.
O dólar à vista fechou a sessão em queda de 0,88%, aos R$ 5,2414.
A primeira semana de guerra no Oriente Médio foi desastrosa para o real, com a moeda norte-americana acumulando alta de 2,08% no período. No ano, o dólar passou a acumular queda de 4,51%.
Pela manhã, investidores de todo o mundo em busca de segurança voltaram a vender ações e comprar dólares, penalizando ativos de maior risco como as divisas de países emergentes.
Isso deu força ao dólar também no Brasil, que chegou a superar os R$ 5,30 em alguns momentos da manhã. No entanto, sempre que as cotações ultrapassavam este nível, participantes do mercado entravam nas operações vendendo moeda.
“O dólar tentou acompanhar a valorização global em função da guerra e da alta do petróleo, mas apareceu fluxo, o exportador vendeu nos R$ 5,30”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Nos R$ 5,30 o pessoal entra vendendo, e também há desmonte de posição (no mercado futuro)”, acrescentou.
Em reação, os rendimentos dos Treasuries cederam, com investidores precificando chances maiores de corte de juros no curto prazo nos EUA, e o dólar se enfraqueceu ante boa parte das demais divisas.
Petróleo
O barril do petróleo Brent - referência internacional negociado na ICE (International Commodities Exchange) - fechou o dia em alta de 8,52%, cotado a US$ 92,69. Na primeira semana de guerra, o preço acumula ganho de 27,2%.
Enquanto isso, o WTI (West Texas Intermediate), referência dos EUA, encerrou o dia em US$ 90,90, alta de 12,21%. A cifra representa alta semanal de 35,63%, ante o fechamento da última sexta-feira (27), antes de o conflito estourar.
*Com informações da Reuters


