Ibovespa fecha aos 195 mil pontos em novo recorde; dólar cai a R$ 5,06

Bolsa renova máxima histórica pelo segundo dia seguido, enquanto moeda norte-americana tem a menor cotação em dois anos

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou acima de 195 mil pontos pela primeira vez nesta quinta-feira (9), em nova máxima histórica pelo segundo dia seguido e no 15º fechamento em recorde do índice em 2026.

A bolsa paulista é beneficiada pela relativa trégua na aversão a risco no cenário internacional, mesmo com a visão de um cessar-fogo ainda frágil entre Estados Unidos e Irã. A alta foi impulsionada pelas ações Petrobras e demais petroleiras, que acompanharam os avanços do preços do petróleo no exterior.

O Ibovespa fechou em alta de 1,52%, aos 195.129,25 pontos.

Já o dólar à vista fechou em queda de 0,80%, cotada R$ 5,062 na venda - menor cotação em dois anos - na mínima do dia, a moeda chegou a atingir os R$ 5,058.

 

Mais cedo, o principal índice da bolsa renovou a máxima intradia, aos 195.513,91 pontos. Na mínima, marcou 192.206,22 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 37,2 bilhões.

"Há ainda muita tensão envolvendo a situação no Oriente Médio, mas hoje o mundo está um pouco mais calmo", afirmou o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, acrescentando que o cenário mais negativo sinalizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, não se confirmou.

Além disso, destacou, que o fluxo estrangeiro segue para as ações brasileiras.

A bolsa paulista tem apresentado uma certa resiliência desde o começo da guerra no final de fevereiro. Apesar do desempenho negativo do Ibovespa em março, a bolsa ainda registrou entrada líquida de capital externo, que persiste em abril, com saldo positivo de R$ 1,6 bilhão até o dia 6.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o anúncio sobre o cessar-fogo abriu espaço para uma recuperação nos mercados, bem como um alívio de volatilidade, mesmo que ainda existam alguns riscos, com recursos militares de prontidão no Oriente Médio.

Mas, acrescentou, que a perspectiva de um fim para a guerra "trouxe a calmaria que o Ibovespa precisava para continuar batendo máximas históricas".

No exterior, o preço do petróleo fechou em alta após o barril voltar ao patamar de US$ 100 sem a reabertura completa do Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do tipo brent fecharam em alta de 1,23%, para US$ 95,92 o barril. Enquanto o WTI, referência no mercado americano, avançou 3,66%, negociado a US$ 97,87 o barril.

Dólar em queda

O dólar fechou a quinta-feira em baixa ante o real, no menor valor em dois anos, novamente impactado pelo acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã, com a moeda norte-americana também registrando queda ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,80%, aos R$ 5,0626, o menor valor de fechamento desde 9 de abril de 2024, quando atingiu R$5,0067.

No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,77%.

Na quarta-feira, o dólar já havia exibido quedas firmes ante o real, em meio à euforia dos investidores com o acordo entre EUA e Irã. Nesta quinta-feira, porém, as dúvidas sobre a aplicação do cessar-fogo e a normalização do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz contiveram o otimismo.

O tráfego por Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal, enquanto Teerã reafirmou seu controle sobre a área, alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais.

Já Israel lançou novos ataques contra alvos no Líbano, enquanto em outra frente o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deu instruções para que o país inicie negociações de paz que incluiriam o desarmamento do Hezbollah.

Apesar das preocupações com o cessar-fogo, o dólar se enfraqueceu ao longo da manhã ante moedas de países emergentes como o real, o peso chileno e o peso mexicano.

Após atingir a cotação máxima de R$ 5,1070 (+0,07%) às 9h47, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 5,0586 (-0,88%) às 14h40, em sintonia com o avanço do Ibovespa e a queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).

"Mesmo em um ambiente de incerteza geopolítica e petróleo elevado (próximo de US$ 100), que em tese sustentariam o dólar, o mercado operou na direção oposta, refletindo desmonte de posições defensivas”, comentou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

“No Brasil, o movimento foi amplificado por fluxo estrangeiro consistente, direcionado à renda fixa e à bolsa, sustentado pelo elevado diferencial de juros mesmo diante da possibilidade de corte (da Selic) pelo Copom”, acrescentou.

Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, houve uma "coerência interna" no movimento do câmbio nesta quinta-feira no Brasil, "com bolsa subindo e dólar caindo".

*Com informações da Reuters 

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