O que está acontecendo com os preços dos carros nos EUA?

Valor por modelos novos sobem, mesmo com expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve

Chris Isidore, da CNN
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As expectativas são de um choque nos preços dos automóveis nos Estados Unidos no próximo ano — mais uma vez.

Os preços médios de carros novos ultrapassaram US$ 50 mil em setembro pela primeira vez e voltaram a ficar abaixo desse valor em outubro.

Mas, agora, especialistas do setor automotivo dizem que os preços dos carros estão voltando a subir. E, desta vez, podem permanecer nesse patamar.

Ivan Drury, diretor de insights da Edmunds, e Erin Keating, analista executiva da Cox Automotive, afirmam que os carros estão se aproximando desse valor.

“Os preços vão subir, mesmo que o consumidor não queira pagar esse valor”, disse Drury. “É que o custo de tudo em um carro está aumentando, e US$ 50 mil não está tão distante assim”.

Os preços mais altos dos carros — que são uma necessidade em cidades com transporte público precário — fazem parte de uma crise de acessibilidade maior que afeta os americanos.

Queda nas taxas de juros

Os compradores de carros geralmente baseiam suas escolhas no valor da parcela mensal prevista, com 80% das vendas de carros sendo financiadas, de acordo com a Experian.

Quase um quinto dos carros novos agora tem prestações mensais de US$ 1 mil ou mais, segundo a Experian, resultado de um aumento de 30% nos preços e de taxas de juros acentuadamente mais altas desde outubro de 2019.

Se o Fed (Federal Reserve) continuar reduzindo as taxas de juros, as compras poderão enfrentar custos de juros menores. Mas, paradoxalmente, isso pode dar às concessionárias espaço para aumentar os preços, mantendo as prestações mensais totais iguais ou até maiores.

“A maioria dos consumidores escolhe com base no valor da prestação mensal”, apontou Keating. “Então, acho que a prestação mensal tem um impacto muito maior do que as pessoas imaginam".

Os ganhos do mercado de ações, salários mais altos, a valorização dos imóveis e as antecipadas restituições de impostos provenientes do amplo pacote de políticas internas de Donald Trump podem impulsionar a demanda de compradores mais ricos, aumentando as vendas de modelos mais caros e elevando os preços médios em geral.

"É por isso que acreditamos que a temporada de vendas da primavera provavelmente será melhor do que em anos típicos", destacou Keating.

Carros diferentes, preços diferentes

O fim do crédito tributário para compradores de veículos elétricos na reforma tributária e de gastos de Trump, em julho, chamou atenção. Mas isso também diminuiu levemente as penalidades financeiras para montadoras que excedem as regulamentações de emissões.

Isso significa que as montadoras agora têm maior liberdade para se concentrar nas vendas de picapes e SUVs maiores e mais lucrativos – que também são mais caras, elevando, consequentemente, os preços médios dos carros em geral.

Até agora, as montadoras têm se mostrado relutantes em aumentar muito os preços dos carros e correr o risco de desapontar as expectativas de Trump, além de potencialmente perder compradores para a concorrência.

Mas o preço médio de tabela, depois de subir menos de 3% em comparação com o ano anterior em todos os meses, exceto um, até agosto, subiu cerca de 4% em setembro e outubro, de acordo com a Edmunds.

Isso ocorre porque os veículos do ano-modelo 2026 estão chegando às concessionárias, com preços de tabela mais altos. Esses modelos mais novos representarão uma parcela crescente das vendas no próximo ano, à medida que os veículos restantes do ano-modelo 2025 forem sendo vendidos.

Os preços podem cair?

Mas existe pelo menos um cenário em que os preços podem cair – embora possa ser pior do que preços mais altos.

Se o mercado de trabalho enfraquecer ainda mais e as pessoas perderem empregos com mais frequência, a demanda pode despencar. Uma recessão assim seria uma forma muito ruim de manter os preços sob controle.

"Não acho que os fatores adversos indiquem uma queda tão acentuada", declarou Keating.

Alayna Treene e Alejandra Jaramillo, da CNN, contribuíram com esta reportagem

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