Pão de Açúcar: companhia deve fechar? Economista explica cenário

Resultado do 4ª trimestre de 2025 do grupo apresentou prejuízo de R$ 572 milhões, acima do esperado e abaixo do mesmo período anterior

Da CNN Brasil
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O GPA, grupo controlador da rede de supermercados Pão de Açúcar, registrou um prejuízo líquido de R$ 560 milhões no quarto trimestre de 2025.

Apesar de representar uma redução de 48,2% em comparação ao mesmo período de 2024, o resultado ficou acima das expectativas dos analistas, que projetavam um prejuízo de R$ 314 milhões.

Porém, a situação financeira da companhia acendeu um sinal de alerta no mercado. No balanço divulgado, o próprio GPA destacou uma "incerteza relevante" sobre sua continuidade operacional.

O grupo encerrou 2025 com um capital circulante negativo de R$ 1,224 bilhão, valor insuficiente para honrar os compromissos financeiros de 2026, estimados em R$ 1,7 bilhão.

Diante desse cenário, a empresa anunciou que vem adotando medidas para melhorar sua situação financeira, incluindo negociações para alongamento da dívida, redução de custos financeiros e despesas, além da monetização de créditos tributários.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou em R$ 510 milhões, apresentando um crescimento de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Phil Soares, chefe de análise na Options, avalia que o GPA "muito provavelmente vai continuar sua operação", apesar do cenário desafiador.

Segundo ele, o problema central está na estrutura de capital da empresa, que possui uma dívida financeira bruta de aproximadamente R$ 8 bilhões.

"O endividamento no Brasil é muito caro e muitas dessas empresas têm endividamento relevante", afirmou Soares.

Desmonte do setor de supermercados

Soares também apontou uma transformação significativa no setor varejista de alimentos nos últimos 10 a 15 anos.

"O que a gente observou foi um desmonte do setor de supermercados e um ganho muito grande de espaço do atacarejo", explicou.

Segundo o analista, o modelo de atacarejo tem se destacado por sua competitividade de preços, sem foco em serviço ou localização.

Esta mudança estrutural no mercado coloca em xeque o modelo tradicional de supermercados.

"O modelo de supermercado stand-alone, sem atacarejo, sem atacado, realmente entra em questionamento e uma crise existencial, podendo até se extinguir ou existir somente associado a outros tipos de loja que justifiquem a logística", destacou Soares.

Para os investidores, o cenário de possível queda da taxa Selic a partir de março pode trazer algum alívio para empresas altamente alavancadas como o GPA.

A redução dos juros seria benéfica para setores com exposição aguda à taxa de juros, como varejo e construção civil, permitindo melhores condições para renegociação de dívidas e redução do custo de capital de giro.

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