Petróleo está longe das máximas de março, diz presidente da CBIE
Pedro Rodrigues, do CBIE, avalia que preço da commodity ainda está longe das máximas de março e que a medida é difícil de implementar
O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país passará a cobrar um pedágio de 20% sobre navios que transitarem pelo Estreito de Ormuz provocou forte reação no mercado de petróleo.
A medida, justificada pelo argumento de que os EUA arcam com os custos para garantir a navegabilidade da região, impulsionou os preços da commodity.
O barril do Brent chegou a subir mais de 9% no dia anterior ao anúncio e, nesta terça-feira, avançava cerca de 4,57%, cotado a US$ 87,10. Já o WTI registrava alta de 3,51%, para US$ 80,85. Com isso, as cotações se afastam do patamar inferior a US$ 70 observado antes do início do conflito no Oriente Médio.
Apesar da reação do mercado, especialistas avaliam que a implementação da medida enfrenta obstáculos relevantes. Em entrevista, Pedro Rodrigues, do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), afirmou que o controle do Estreito de Ormuz não está nas mãos dos Estados Unidos, mas do Irã.
"Quem controla o Estreito de Ormuz não é os Estados Unidos, é o Irã", afirmou. Segundo ele, o país tem capacidade de interromper o tráfego marítimo por meio de drones, independentemente da presença militar americana na região.
Rodrigues também destacou uma contradição na postura do governo americano. Até recentemente, Washington criticava qualquer tentativa do Irã de cobrar taxas pelo uso da rota marítima. Para o especialista, o anúncio de Trump parece ter um caráter mais político do que operacional.
"Me parece muito mais uma pressão de narrativa do que propriamente cobrar 20% ou qualquer pedágio de navios que passem pelo estreito", disse.
Além do impacto imediato sobre o preço do petróleo, o especialista alertou para os efeitos indiretos de eventuais restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz. Segundo ele, interrupções na passagem afetam a produção em países como o Iraque, elevam os custos de seguro marítimo, reduzem a disponibilidade de embarcações e pressionam toda a cadeia logística.
"Essa desordem, esse preço mais alto, vai se tornando estrutural", afirmou, ressaltando que mesmo uma eventual reabertura do estreito não garantiria uma queda rápida e duradoura dos preços.
Para o Brasil, Rodrigues avalia que um petróleo mais caro pode voltar a colocar à prova a política de preços da Petrobras, sobretudo se as cotações permanecerem elevadas por um período prolongado. Ele observa que o cenário ganha peso adicional em um contexto eleitoral, quando há maior pressão para evitar reajustes nos combustíveis.
"Preço de combustíveis mais altos nunca é bom para nenhum presidente", afirmou. Ainda assim, o especialista ponderou que é cedo para projeções mais definitivas, diante da elevada volatilidade do mercado nos últimos dias.


