Brent sobe 64% em março, maior alta desde 1988, com Oriente Médio no radar
Petróleo WTI ganhou cerca de 52% no mês, seu maior salto desde maio de 2020.

Os preços do petróleo dispararam em março, com os futuros do Brent subindo 64% no mês, enquanto o WTI avançou 52%. Os investidores ainda analisavam os sinais contraditórios sobre o rumo da guerra com o Irã, após comentários de Donald Trump aumentarem os temores de que o conflito no Oriente Médio possa se intensificar ainda mais.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 1,46%, a US$ 101,38 o barril. Já o Brent para maio subiram 4,94%, a US$ 118,35 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Os futuros do Brent no primeiro mês atingiram um ganho mensal recorde de 64% em março, de acordo com dados da LSEG que remontam a junho de 1988. O West Texas Intermediate, referência dos EUA, ganhou cerca de 52% no mês, seu maior salto desde maio de 2020.
O contrato do Brent para maio estava a caminho de um ganho mensal recorde, mas expirou nesta terça-feira, com a liquidez caindo à medida que os investidores transferiam sua exposição para o contrato mais líquido de junho.
O contrato do Brent para junho fechou em queda de 3,18% (US$ 3,42), a US$ 103,97 por barril, após relatos da mídia, inclusive da Bloomberg, de que o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que o Irã está pronto para acabar com a guerra, mas quer garantias.
"Mais uma vez, o alçapão sob esse mercado se abriu com a suposta declaração do presidente iraniano. Se houver um fim imediato das hostilidades, saberemos que o Estreito (de Ormuz) pode ser reaberto e o fornecimento voltará ao mercado, eliminando grande parte do prêmio de risco que foi acumulado nos preços", disse John Kilduff, sócio da Again Capital.
O índice de referência internacional subiu constantemente nas últimas quatro semanas com a escalada da guerra no Irã, com ataques à infraestrutura de energia em todo o Golfo, o que resultou na pior interrupção de fornecimento de petróleo e gás de todos os tempos.
A produção de petróleo da Opep caiu em março 7,3 milhões de barris por dia em relação ao mês anterior, para 21,57 milhões de bpd, seu nível mais baixo desde o auge da pandemia de Covid-19 em junho de 2020, segundo uma pesquisa da Reuters, em meio a cortes forçados nas exportações.
O mercado vacilou ao longo do mês, com uma série de quedas cada vez que o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeria que a operação militar poderia ser reduzida - apenas para retomar seu caminho ascendente devido à deficiência de oferta causada pelas ameaças do Irã contra navios que transitam pelo importante Estreito de Ormuz, a artéria usada para enviar um quinto do petróleo e gás do mundo.
"Com o petróleo agora na casa dos três dígitos, a ação dos preços está sendo impulsionada menos por novas interrupções e mais pelas expectativas em relação ao tempo de intervenção e resposta da oferta", disseram analistas da empresa de consultoria em energia Gelber and Associates em uma nota.
Trump sugeriu que outros países deveriam intervir para abrir o estreito, uma medida que as nações europeias não querem tomar até que as hostilidades cessem. Os EUA removeram as sanções sobre os barris da Rússia e prometeram liberar reservas com um grupo de outras nações, mas essas medidas só compensarão a perda de suprimento por um período limitado de tempo.
"Com os amortecedores remanescentes do mercado de petróleo sendo gradualmente consumidos, a vulnerabilidade do mercado a um fechamento prolongado de (Ormuz) significa que estamos nos aproximando da escassez física de petróleo em um escopo geográfico mais amplo, e o impulso de alta dos preços do petróleo provavelmente se fortalecerá ainda mais", disse Lin Ye, vice-presidente de mercados de commodities e petróleo da Rystad Energy.
*Com informações da CNN Internacional e da Reuters


