Petróleo ultrapassa US$ 110 em dia de ultimato de Trump sobre Ormuz

Prazo do presidente norte-americano para que Irã aceite acordo de cessar-fogo termina na noite desta terça-feira

Diana Ribeiro e Maria Julia Blanes, da CNN Brasil*, em São Paulo
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O petróleo teve um dia de volatilidade nos preços nesta terça-feira (7), com o brent oscilando entre perdas e ganhos, enquanto o mercado seguiu acompanhando o último dia do prazo que o presidente Donald Trump ofereceu para o Irã aceitar um cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz para o fornecimento da commodity.

O Brent fechou em queda de 0,46%, a US$ 109,27 o barril - na máxima do dia, o preço chegou a US$ 111,80.

Enquanto o petróleo WTI, referência no mercado americano, encerrou o dia com avanço de 0,48%, para US$ 112,95 o barril.

 

Normalmente, o WTI é negociada com desconto em relação ao Brent, mas isso se inverteu em um mercado onde barris para entrega antecipada têm um preço mais alto. O contrato de referência WTI é para entrega em maio, enquanto Brent é para junho.

"O que parece ser uma mudança no valor relativo é, na realidade, um reflexo de quão agressivo o mercado está precificando a imediatidade", disse o analista do banco Saxo, Ole Hansen, em uma nota.

Trump deu ao Irã até às 21h (horário de Brasília) para reabrir o Estreito de Ormuz, pelo qual cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo normalmente é enviado. As forças iranianas fecharam efetivamente o estreito após o início dos ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro.

Se Teerã não cumprir, Trump disse que "todas as pontes no Irã serão dizimadas" até a meia-noite de quarta-feira e "todas as usinas no Irã estarão fora de funcionamento, pegando fogo, explodindo e nunca mais serão usadas."

Os ataques ao Irã se intensificaram na terça-feira, incluindo ataques a pontes ferroviárias e rodoviárias, um aeroporto e uma usina petroquímica, além de linhas de energia, segundo a mídia iraniana.

Em resposta a uma proposta dos EUA, mediada pelo Paquistão, o Irã rejeitou um cessar-fogo e afirmou que o fim permanente da guerra era necessário, resistindo à pressão para reabrir o estreito.

A interrupção das exportações de petróleo dos produtores do Golfo fez com que os preços do petróleo disparassem. Isso representou um ganho financeiro inesperado para aqueles que ainda conseguem exportar – Irã, Omã e Arábia Saudita – enquanto outros países perderam bilhões de dólares, segundo uma análise da Reuters.

O Conselho de Segurança da ONU deve votar na terça-feira (7) uma resolução para proteger a navegação comercial no estreito, mas em uma versão significativamente atenuada, após a China, que detém poder de veto, se opor à autorização do uso da força, disseram diplomatas.

Além do prêmio incomum nos contratos futuros de petróleo bruto dos EUA em relação ao Brent, o conflito fez com que os prêmios à vista do petróleo bruto WTI atingissem recordes históricos, enquanto refinarias asiáticas e europeias se esforçam para substituir o fornecimento do Oriente Médio.

A estatal petrolífera Saudi Aramco elevou o preço oficial de venda do seu petróleo bruto Arab Light para a Ásia, com entrega prevista para maio, estabelecendo um prêmio recorde de US$ 19,50 por barril acima da média Omã/Dubai.

O Ministério da Energia do Cazaquistão afirmou na terça-feira que suas exportações de petróleo pelo Mar Negro estavam estáveis, um dia após a Rússia ter relatado que drones ucranianos atingiram o terminal do Consórcio do Oleoduto do Cáspio, responsável por 1,5% do fornecimento global de petróleo.

Os países produtores de petróleo da Opep+ concordaram no domingo em aumentar suas cotas de produção de petróleo para maio em 206.000 barris por dia, embora o aumento seja em grande parte simbólico, já que membros importantes não podem aumentar a produção devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.

*Com informações da Reuters 

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