Petróleo fecha em alta com cancelamento das negociações entre EUA e Irã
Preço do Brent recuou 7% na semana com perspectiva em avanços geopolíticos

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira (19), diante da renovação das tensões geopolíticas com o cancelamento das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, em meio ao feriado americano de Juneteenth.
O petróleo Brent para agosto, da Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou com alta de 0,90% (US$ 0,72), a US$ 80,57 por barril. Na semana, o preço recuou 7,8%.
No pregão eletrônico da New York Mercantile Exchange (Nymex), por volta das 14h50, o petróleo WTI, referencia no mercado americano, operava em alta de 0,90% (US$ 0,69), a US$ 76,54, recuando cerca de 10% na semana.
Os preços alternaram entre ganhos e perdas desde a madrugada, conforme os traders acompanhavam o noticiário sobre o Oriente Médio.
O petróleo avançou com os relatos dos novos ataques de Israel no Líbano, motivo que teria levado ao cancelamento da viagem do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, à Suíça para negociações com o Irã - que, por sua vez, responsabilizou os americanos pelas ofensivas israelenses.
No entanto, a commodity devolveu os ganhos diante da notícia da Reuters que Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo.
O cancelamento dos planos para que EUA e Irã se reunissem na Suíça nesta sexta-feira trouxe nova incerteza quanto ao cronograma das negociações. Os preparativos para o início de negociações técnicas estavam em estágio bastante avançado quando JD Vance disse na quinta-feira (18) que havia desistido dos planos de participar, disseram à Reuters duas pessoas familiarizadas com o assunto.
Por outro lado, Israel e o grupo libanês Hezbollah concordaram com um cessar-fogo que deve começar às 16h, horário local, desta sexta-feira, disse à Reuters uma autoridade dos EUA de alto escalão.
"Isso deixa à mostra o caminho difícil que temos pela frente para alcançar uma retomada plena e ininterrupta do fluxo de petróleo pelo Estreito", disse Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates. "Sem dúvida, as notícias sobre o acordo de cessar-fogo prolongado continuarão a moldar o sentimento do mercado."
Ambos os índices de referência atingiram na quinta-feira seus níveis mais baixos desde o início do conflito, à medida que vários petroleiros, incluindo três navios com bandeira saudita transportando 6 milhões de barris de petróleo bruto, atravessaram o estreito horas depois que os presidentes dos EUA e do Irã assinaram um acordo provisório para pôr fim à guerra entre os dois países.
Analistas esperam que o acordo libere mais de 85 milhões de barris de petróleo retidos no Golfo do Oriente Médio para os mercados globais. O acordo também inclui o levantamento das sanções dos EUA ao petróleo iraniano, o que aumentaria ainda mais a oferta.
Cerca de 20% da oferta global de petróleo e GNL passa pelo Estreito de Ormuz, mas a recuperação dos fluxos e da produção após o acordo entre os EUA e o Irã pode levar vários meses.
O Citi afirmou que seu cenário base, com 60% de probabilidade, prevê uma normalização sustentada nos fluxos, com os mercados de petróleo entrando em superávit e os preços apresentando tendência de queda nos próximos seis a 12 meses, para cerca de US$ 60–US$ 65 por barril até o primeiro trimestre de 2027.
O Commerzbank afirmou que a oferta de petróleo deve se recuperar gradualmente, reduzindo sua previsão para o Brent de US$ 85 para US$ 80 por barril até o final do ano, embora espere que os preços permaneçam acima dos níveis pré-guerra durante a maior parte do próximo ano.
Os campos petrolíferos do Iraque estão prontos para retomar a produção, e a produção voltará gradualmente ao normal, restaurando os níveis anteriores, afirmou o ministro do Petróleo, Basim Mohammed.
No que diz respeito à demanda, a demanda mundial subirá de 105,1 milhões de barris por dia em 2025 para 113,3 milhões de bpd em 2030, informou a Opep em seu "World Oil Outlook 2026".
*Com informações da Reuters e Agência Estado


