Questão operacional da Petrobras é muito sólida, diz Itaú BBA

Monique Greco, analista líder de óleo e gás, avalia resultado do segundo trimestre e aponta robustez operacional da estatal com crescimento de produção

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões atribuído aos seus acionistas no segundo trimestre de 2026, alta de 96,8% em relação aos R$ 26,7 bilhões apurados no mesmo período do ano anterior.

O resultado, divulgado após o fechamento do mercado, superou as expectativas e gerou ampla repercussão entre analistas e investidores.

Para Monique Greco, analista líder de óleo e gás do Itaú BBA, o desempenho da companhia não se explica apenas pelo ambiente externo favorável.

"Tem um efeito grande da porta para dentro, que é a Petrobras tem conseguido aumentar significativamente a produção de petróleo e de derivados", afirmou.

Segundo ela, esse crescimento ocorre em ritmo acelerado com a implantação de novos sistemas de produção, especialmente no pré-sal, com destaque para o campo de Búzios.

No trimestre, a produção de petróleo cresceu mais de 3% em relação ao período anterior, impulsionada pela entrada em operação da plataforma P79, denominada Búzios 18.

Além disso, houve aumento na utilização das refinarias da companhia, elevando também a produção de derivados.

Como resultado desse volume expressivo, o custo de extração por barril — o chamado lifting cost — recuou mais de 6% no mesmo período.

"A gente está vendo uma robustez de volume, uma robustez de eficiência, combinando com uma porta para fora também fortalecida", destacou Monique Greco.

Questionada sobre a sustentabilidade da geração de caixa, a analista foi cautelosa. Ela explicou que os patamares atuais dependem fortemente do preço elevado do petróleo, influenciado pelo conflito no Oriente Médio.

No Itaú BBA, a projeção é de que o preço do petróleo tipo Brent convirja para US$ 80 por barril ao fim do ano corrente e para US$ 75 ao final do ano seguinte.

"Com esses níveis de petróleo, a gente vê a Petrobras gerando um fluxo de caixa pro acionista da ordem de 12%, 13% de yield ao ano", projetou Monique Greco, ressaltando que a geração de caixa permaneceria sólida mesmo em um cenário normalizado de preços.

A Petrobras excluiu alguns efeitos para chegar ao Ebitda ajustado. O evento mais relevante foi o pagamento do tributo de exportação de petróleo, que somou cerca de US$ 1 bilhão no trimestre.

A analista do Itaú BBA avaliou que esse custo não deve ser considerado recorrente.

"À medida que o preço do petróleo se acomoda de volta para um patamar mais normalizado, a gente deveria ver esse tributo de exportação sendo faseado e, eventualmente, sumindo", explicou.

Ainda assim, Monique Greco ressaltou que o efeito foi real no trimestre e, portanto, deve ser considerado na avaliação do resultado.

As refinarias da Petrobras atingiram um recorde de utilização no período, com melhora de eficiência, mas também com alguma perda de margem.

A analista explicou que as refinarias possuem um limite de conversão — ou seja, uma capacidade máxima de transformar o barril de petróleo em derivados de alto valor agregado, como diesel, gasolina e querosene de aviação.

Ao elevar a utilização de forma expressiva, a companhia inevitavelmente aumenta também a produção de derivados de menor valor, como óleo combustível, coque e asfalto. Apesar disso, Monique Greco destacou que a Petrobras mantém um nível de conversão de 68%, o que considera ainda muito positivo.

Para sustentar esse rendimento, a companhia investe em projetos como o aumento da capacidade de conversão na Reduc e em hidrotratamento de diesel na unidade anteriormente conhecida como Comperj, agora denominada Boa Ventura.

Parte da dívida da Petrobras é composta por arrendamentos de longo prazo de navios-plataforma. A analista explicou que essa estrutura resulta de uma decisão estratégica de alocação de capital, avaliada economicamente em comparação à alternativa de construção própria das plataformas.

"É importante a gente sempre olhar para essa linha de arrendamento não de forma isolada, mas como parte do todo de uma decisão de alocação de capital maior no desenvolvimento da produção do pré-sal", afirmou Monique Greco.

Ela acrescentou que os sistemas de produção arrendados possuem longa vida econômica e um ponto de equilíbrio muito baixo — com custo de extração de US$ 6 por barril e break-even declarado para novos projetos de pré-sal próximo de US$ 30 por barril (Brent).

"O portfólio de produção da companhia é muito resiliente aos cenários de petróleo que a gente enxerga pela frente", concluiu.

A aceleração dos investimentos da Petrobras também foi tema de análise. Monique Greco afirmou que essa tendência tem dominado as discussões entre analistas e a companhia há alguns trimestres.

Na avaliação do Itaú BBA, o ritmo acelerado de capex não é motivo de preocupação, pois está concentrado quase que exclusivamente no desenvolvimento dos projetos do pré-sal, que apresentam break-even muito baixo e alto potencial de retorno.

"O quanto antes você entregar esse projeto, antes você entrega a geração de valor prometida para a companhia", afirmou a analista, reforçando que a aceleração dos investimentos tem permitido à Petrobras antecipar retornos e capturar o momento favorável de preços com maior volume de produção.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
Acompanhe Economia nas Redes Sociais