Veja como tarifas de Trump afetam o dólar
Dólar, que já vinha apresentando volatilidade, reagiu ao anúncio e voltou a superar a casa de R$ 5,50
As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de uma tarifa de 50% para todos os produtos brasileiros, têm gerado preocupações no mercado financeiro.
O dólar, que já vinha apresentando volatilidade, reagiu às notícias, superando a casa de R$ 5,50. Nesta quinta-feira (10), em novo movimento de alta, a divisa norte-americana encerrou negociada a R$ 5,541.
Segundo análise do especialista em economia e comentarias do CNN Money Gilvan Bueno, já havia uma pressão prévia, que pode se intensificar caso as medidas anunciadas por Trump sejam efetivamente implementadas.
"Se continuar a medida e a gente não entender o que vai ser, qual vai ser o caminho, a gente pode ter uma pressão no dólar que nós não imaginávamos", afirma Bueno.
Ele lembra que, no primeiro semestre, houve uma desvalorização significativa do dólar, com projeções apontando para um cenário de R$ 5,30 a R$ 5,40 para o final do ano.
No entanto, o analista ressalta que ainda há incertezas quanto ao direcionamento que será adotado pelo governo brasileiro em resposta às medidas de Trump. Bueno conclui que, se houver um confronto, é provável que haja uma pressão para a alta do dólar.
Por outro lado, se a situação se mantiver estável, pode-se evitar uma volatilidade tão acentuada no câmbio.
As tarifas impostas por Trump podem ter um impacto significativo não apenas na cotação do dólar, mas também em setores específicos da economia brasileira, especialmente nas empresas exportadoras.
Em conversa com gestores de recursos e estrategistas de empresas de gestão de patrimônio, Bueno identificou que alguns setores serão duramente atingidos pelas medidas.
Destaca-se, em particular, a situação da Embraer, que pode enfrentar um impacto de até 15% em sua lucratividade para 2026, devido ao seu alto volume de exportações.
O analista ressalta que a Embraer enfrenta um desafio adicional: atualmente, Boeing e Airbus não conseguem suprir a cadeia produtiva que a empresa brasileira mantém nos Estados Unidos, colocando a brasileira em uma posição delicada frente às novas tarifas.


