Wall Street despenca conforme tensões no Oriente Médio continuam
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que aguardam uma resposta do Irã sobre as negociações para colocar um fim à guerra no Oriente Médio "a qualquer momento"

Os principais índices acionários de Wall Street fecharam o pregão desta sexta-feira (27) em forte queda, com incertezas sobre o fim da guerra no Oriente Médio, que já dura um mês, pesando sobre o mercado.
O Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam nos níveis mais baixos desde agosto e sofreram, cada um, a quinta queda semanal consecutiva, a mais longa em quase quatro anos.
Na quinta-feira (26), após o fechamento da sessão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o governo americano está suspendendo os ataques a instalações de energia do Irã por mais 10 dias. A pausa aos ataques expiraria nesta sexta (27).
Donald Trump também publicou na rede social Truth Social que o Irã deve levar as negociações de paz no Oriente Médio a sério, caso contrário, "não vai ter volta e não será bonito". Na publicação, Trump afirmou que os negociadores iranianos estão "implorando por um acordo", apesar da declaração oficial de que ainda estão analisando a proposta americana.
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) pediu nesta sexta-feira (27) que civis deixem áreas onde forças americanas estão posicionadas.
E o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que espera que a operação seja concluída em questão de semanas, apesar do recente envio de forças adicionais para a região. Além disso, à CNN, ele respondeu que os EUA aguardam uma resposta do Irã sobre as negociações "a qualquer momento".
O índice Dow Jones perdeu 1,73%, a 45.166 pontos, uma queda de 10% em relação ao pico acima de 50.000 em fevereiro. Na semana, a perda foi de 0,90%.
O Nasdaq caiu 2,15%, a 20.948 pontos, com desvalorização semanal de 3,23%. O S&P 500 recuou 1,67%, a 6.368 pontos e queda semanal de 2,08%.
O Nasdaq ampliou as perdas após fechar em território de correção na quinta-feira (26). O índice fechou nesta sexta-feira (27) com queda de mais de 12,5% em relação à máxima histórica em outubro.
O índice S&P 500 caiu 3,4% em dois dias, sofrendo a pior queda em dois dias desde abril do ano passado, quando os mercados foram abalados pela incerteza em relação às tarifas impostas por Donald Trump. O S&P acumula queda de 8,74% em relação ao pico no final de janeiro, aproximando-se de uma correção.
O índice Fear and Greed da CNN oscilou em “medo extremo” e atingiu o nível mais baixo desde novembro.
Os preços do petróleo também apresentaram mais um dia de alta nesta sexta (27).
O contrato futuro do WTI para maio, referência para o mercado americano, fechou em alta de 3,33%, a US$ 94,19 o barril. Já o Brent para junho encerrou o dia com avanço de 3,37%, negociado a US$ 105,32 o barril.
Os preços do petróleo têm apresentado volatilidade nesta semana, com receios de que o Estreito de Ormuz - importante ponto de transporte da commodity - siga na mira do Irã.
O aumento nos preços do petróleo e de outros produtos, como fertilizantes, em decorrência da guerra no Oriente Médio, alimentou os temores de inflação e reduziu as expectativas de que o Federal Reserve e outros bancos centrais tenham espaço para reduzir as taxas de juros.
Os participantes do mercado monetário não estão prevendo nenhuma flexibilização por parte do Federal Reserve este ano, em comparação com as expectativas de dois cortes antes do início do conflito, de acordo com a FedWatch Tool da CME. Os mercados estão agora precificando uma chance de aproximadamente 25% de um aumento de pelo menos 25 pontos-base na reunião de outubro do Fed.
Além disso, a confiança do consumidor dos Estados Unidos caiu 6% neste mês, para uma leitura final de 53,3, de acordo com a Universidade de Michigan nesta sexta-feira (27). Essa queda foi mais acentuada do que o declínio de aproximadamente 2% relatado no início deste mês, quando a guerra no Oriente Médio tinha acabado de começar. O nível foi inferior à expectativa de 54,2 de economistas consultados pela FactSet. A confiança do consumidor está agora no ponto mais baixo desde dezembro.
“Foram observadas quedas em todas as faixas etárias e partidos políticos”, declarou a diretora da pesquisa em um comunicado. As expectativas dos americanos para a inflação no próximo ano registraram o maior aumento mensal em cerca de um ano, subindo para 3,8%, ante 3,4% em fevereiro, um patamar superior a qualquer valor previsto para 2024.
*Com informações da CNN Internacional e da Reuters


